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Emagrecedores do Paraguai serão incinerados

Vigilância Sanitária apreendeu mais de 20 mil medicamentos irregulares sem registro na Anvisa

Thais Constantino  - Hojemais Três Lagoas 
18/06/26 às 11h44
Foto: Reprodução

Uma grande quantidade de emagrecedores ilegais vindos do Paraguai será incinerada nos próximos dias pela Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES) , por meio da Coordenadoria de Vigilância Sanitária Estadual (CVISA) . Os produtos foram recolhidos durante operações de fiscalização realizadas em diferentes regiões do Estado.

Entre os materiais apreendidos estão medicamentos análogos de GLP-1 , conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, além de peptídeos utilizados para fins estéticos e esteroides anabolizantes produzidos no Paraguai. Entre as marcas encontradas estão TG, Lipoless, Tirzec, Lipoland, Tirzedral e outras semelhantes.

Segundo a Vigilância Sanitária, os produtos foram retirados de circulação por serem comercializados de forma irregular e não possuírem registro ou autorização junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) , exigência obrigatória para comercialização legal em território brasileiro.

A SES destaca que a ação integra o trabalho permanente de fiscalização para impedir a circulação de medicamentos e substâncias sem comprovação de segurança, qualidade e eficácia. As apreensões ocorreram em centros de triagem dos Correios e também em transportadoras que operam em Mato Grosso do Sul.

Desde o início das operações, mais de 20 mil itens irregulares já foram recolhidos, totalizando aproximadamente R$ 10 milhões em produtos apreendidos .

Riscos à saúde

De acordo com a Secretaria de Saúde, o consumo e a comercialização de medicamentos sem autorização da Anvisa representam sérios riscos à população, já que não há garantias sobre a origem, composição ou condições adequadas de armazenamento desses produtos.

A data e o local da incineração ainda serão definidos pela Vigilância Sanitária Estadual.

Combate ao uso irregular

O gerente de Apoio aos Municípios da Vigilância Sanitária, Matheus Pirolo , esclarece que o objetivo das ações não é combater a tecnologia dos medicamentos, mas impedir o uso inadequado de produtos sem controle sanitário.

“O principal objetivo não é combater a tecnologia em si, que é muito boa, mas sim o uso irracional dessa tecnologia. Estamos falando de produtos sem controle sanitário, sem registro, sem rastreabilidade, transportados fora das condições adequadas, muitos exigem refrigeração, e sem qualquer acompanhamento médico”, afirmou.

A Vigilância Sanitária alerta que clínicas, centros de estética, drogarias e farmácias de manipulação que comercializarem produtos irregulares podem sofrer multas de até R$ 30 mil , além de interdição cautelar por até 90 dias e apreensão dos estoques.

Na esfera criminal, responsáveis técnicos e pessoas físicas podem responder por crimes como contrabando , infrações contra o consumidor e exercício irregular da profissão. Dependendo da gravidade do caso, também pode ocorrer a cassação do registro profissional.

Esquema de distribuição chama atenção

Em entrevista ao portal Primeira Página, Matheus Pirolo revelou que a parceria entre Vigilância Sanitária e Correios tem ampliado o combate ao envio de medicamentos ilegais provenientes do Paraguai.

Entre os produtos mais frequentemente apreendidos estão TG, Lipoless, Tirzec e Retratutida. Segundo ele, as investigações mostram um sistema sofisticado de distribuição para diferentes regiões do país.

Para tentar driblar a fiscalização, os medicamentos são escondidos em objetos como cabeças de bonecas, potes de creme, ursos de pelúcia e até caixas de tereré. Apesar disso, o uso de equipamentos de raio-X e o monitoramento constante dos centros de triagem têm permitido identificar e apreender as encomendas.

Outro ponto que chama a atenção das autoridades é o destino das cargas. Embora os envios tenham origem principalmente na faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, a maior parte das encomendas segue para estados da região Nordeste.

“São objetos postais enviados principalmente da região de fronteira de Mato Grosso do Sul, e o destino frequente é o Nordeste”, explicou Pirolo.

A repetição desse padrão tem levantado suspeitas. Em muitos casos, embalagens identificadas como presentes simples escondem produtos de alto valor comercial.

“Quem que vai mandar um urso para Maceió?”, questionou o gerente, ao destacar situações que passaram a despertar atenção especial das equipes de fiscalização.

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