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Especial: A maternidade através da adoção

O especial de hoje reuniu histórias de pessoas que encontraram na adoção, o verdadeiro sentido da palavra ‘mãe’.

Julia Rafaela - Hojemais Três Lagoas 
12/05/19 às 09h07
Essas são as mamães da Laura, Claudia e Monik. (foto: Arquivo Pessoal)

Mãe... uma palavra tão curta, mas quando dita soa suave, as vezes um pouco gritada, afinal quem nunca gritou aquele ‘manheeeee’, que ecoa por toda casa? A palavra é pequena, mas nela cabe amor, carinho e muito companheirismo.

Mãe é aquela que sempre abre os braços quando precisamos de uma abraço, elas tem um coração que sabe compreender quando precisamos de uma amiga e se torna um abismo profundo do qual sempre se encontra o perdão, seus olhos sensíveis se endurecem quando é necessário uma lição, elas tem uma força e um amor que nos dirige pela vida e nos dão asas quando é preciso voar.

O especial de hoje reuniu histórias de pessoas que encontraram na adoção, o verdadeiro sentido da palavra ‘mãe’.

Monik Arantes e Claudia Oliveira são casadas a seis anos e a 1 ano e 7 meses receberam a pequena Laura, na época com menos de 2 meses.

“Estar na fila de adoção é como se você estivesse passando por uma gestação, você já se sente mãe, a barriga não cresce mas o coração sim” – afirmou Monik.

Durante a entrevista a emoção e o amor se torna visível na fala do casal, que revelou uma expectativa oposta àquela que imaginada quando decidiram entrar no processo.

“A expectativa nossa quando entramos na fila da adoção foi completamente diferente da realidade, porque o nosso perfil era amplo, nós queríamos uma criança de 0 a 7 anos, então achávamos que viria uma criança andando, grande e falando, nós nos preparamos para isso, montamos o quarto para uma criança grande e então veio a Laura que era um bebê” – disse Monik.

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A pequena Laura chegou para preencher um espaço o qual sempre pertenceu a ela. Os primeiros passos e as palavras balbuciadas são acompanhadas de perto por Claudia e Monik que não conseguem esconder o brilho no olhar e a imensidão de sentimentos causadas pelo amor de ser mãe.

“Passar o dia das mães sendo mãe é emocionante e agora estamos habilitadas para adotar outra criança... A adoção transformou a nossa vida para melhor, hoje nossa visão para o mundo e para as pessoas é outra, a Laura nos transformou em pessoas melhores, não só nós como a família inteira, ela era a peça que faltava” – finalizou o casal.

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José e Tatiane estão na fila de adoação e no dia 17 de março foram habilitados (foto: Arquivo Pessoal)

Não muito distante dessas duas mamães, a reportagem também entrevistou outro casal, que vivenciam a mesma expectativa de Claudia e Monik quando ainda estavam na fila de adoção.

Tatiane Nunes Ferreira e José Aparecido Alves dos Santos estão ansiosos pela chegada do filho ou filha que está por vir, no dia 17 abril o casal foi habilitado e a emoção já é grande para os pais de primeira viagem.

“Nós descobrimos que naturalmente não poderíamos ser pais e então optamos pela adoção.” – contou Tatiane.

O casal hoje se prepara e a cada ligação o coração parece bater fora do peito à espera da notícia tão desejada, “vocês são pais”. Os passeios pelas ruas da cidade ganharam novos olhares e tudo aquilo que visto e desejado é pensando no novo membro da família, que antes mesmo de sua chegada já recebe um amor incondicional, amor esse que não se baseia no sangue que se tem em comum, mas na afeição que se desenvolve no coração. É uma ligação que não se explica em palavras, mas que se demonstra em sentimentos.

Com a chegada do dia das mães, comemorado no dia 12 de maio, Tatiane expõe ainda mais o seu anseio em ser mãe, sendo esse talvez o seu maior presente para a data.

Ser mãe significa nunca mais estar só no pensamento. Uma mãe sempre pensa por dois: por ela e pelos seus filhos. Uma mãe se sente afortunada, porque sabe que eles são o seu maior tesouro, essa é a mensagem que a nossa terceira entrevistada passa durante a sua fala, Lilian Cristina Marques Dias (48), decidiu ser mãe ainda aos 22 anos, a três-lagoense contou que o desejo se desenvolveu muito cedo, antes mesmo de entrar na faculdade.

Essa é Lilian, mãe do Pedro Henrique e da Sophia. (foto: Arquivo Pessoal)

“Eu queria ser mãe independente de casar civilmente, poderia ser um companheiro que eu tivesse um relacionamento estável, mas eu queria ser mãe e isso era fato” – relatou Lilian.

A ideia foi se amadurecendo e os planejamentos foram surgindo, tudo para a chegada de seu filho (a).

Quatorze anos depois, aos 36 anos, durante uma entrevista para adoção, a assistente social se viu na entrevistada, a partir daquele dia sua história tomou um novo rumo.

“Ela era muito parecida com a minha realidade e ao mesmo tempo eu comecei a observar que tudo aquilo que eu havia planejado eu não havia conquistado, e se eu não decidisse de uma vez ser mãe naquele momento eu iria esperar quanto tempo pra ter aquilo que eu planejei?” – relembrou .

Após esse acontecimento, o desejo floresceu ainda mais em Lilian, e a decisão se firmou naquele instante, sendo dada a entrada no processo de adoção.

Pedro Henrique chegou para Lilian com 5 meses de vida, tão pequeno e frágil mas já carregava consigo dois coração, o seu e o da mais nova mamãe.

“Quando ele chegou, foi uma sensação de medo e desejo ao mesmo tempo, porque não tinha volta e eu precisava ser mãe...Quando me ligaram para ir conhecer ele, eu desabei e quando eu vi ele no colo da assistente social e ele veio em meu colo eu chorei e eu sabia que ele era meu filho ... é algo tão espiritual que toca seu coração e fala “aquela criança é sua” – contou emocionada.

Lilian é mãe solteira, mas isso não foi impedimento para a mamãe duplicar o seu desejo. Pedro foi a confirmação da ideia que nasceu aos 22 anos e adoção de Sophia Marques, sua segunda filha, foi a reafirmação de que a assistente social havia nascido para isso, para amar, educar, criar, e ser mãe!

“Esse segundo domingo de maio, eu quero dedicar aos meus filhos, é o dia que quero estar com eles e agradecer pela vida do Pedro e da Sophia... eu quero curtir esse dia com eles e com mais ninguém, eu quero viver para eles... eles não nasceram de mim, mas eles nasceram pra mim” – finalizou Lilian.

Aos quarenta e cinco do segundo tempo, a reportagem através das redes sociais recebeu a história da professora Virna Vieira Leite de 38 anos, inicialmente contada por seu marido, Ricardo Soares, que durante o relato fez questão de transmitir seu amor e admiração por Virna

Essa é a familía da professora Virna Leite (foto: Arquivo Pessoal)
Essa é a familía da professora Virna Leite (foto: Arquivo Pessoal)

“Ela é uma mãe exemplar, e de longe o melhor ser humano que conheço” – afirmou o marido.

A professora de Língua Portuguesa inicia a entrevista com a seguinte frase de Luiz Schettini Filho: “Todos os filhos são biológicos e todos os filhos são adotivos. Biológicos, porque essa é única maneira de existirmos concreta e objetivamente; adotivos, porque é a única forma de sermos verdadeiramente filhos".

A história do casal é oposta a todas as outras já contadas até agora, sendo considerada um milagre de Deus para alguns.

A vontade de adotar sempre esteve presente na vida de Virna e Ricardo, antes mesmo do casamento, e durante cinco anos o casal tentou realizar o sonho.

“Eu não conseguia engravidar naturalmente e na época participamos de uma palestra, onde foi apresentado o grupo de apoio a adoção, foi quando juntamos as duas coisas e demos entrada no processo” – contou.

Em março de 2015, Thales chegou para o casal, a data ficou marcada como o dia mais feliz da vida de Virna e Ricardo, o primeiro contato foi determinante, era um misto de sensações, euforia, amor e vontade de cuidar e proteger.

Quatro meses após a chegada do pequeno Thales, a professora descobriu que carregava uma segunda vida dentro de seu ventre e sonho da maternidade se duplicou com a chegada de Ian em abril de 2016.

“Eu me emociono ao falar sobre isso, porque é algo que a gente quer tanto e de repente Deus dá em dobro, eu só tenho gratidão e um orgulho enorme da família que eu criei...é muito gostoso passar o dia das mães com meus filhos, sentir o cheirinho deles, um abraço gostoso, cartinha de escola, eu guardo todas e para mim é uma alegria tremenda poder vivenciar isso”- relatou Virna.

“Ser mãe é você ter o seu coração fora do corpo é uma responsabilidade eterna” – finalizou a mamãe do Thales e do Ian

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