Mato Grosso do Sul está entre os estados com maiores índices de orfandade causados pela pandemia de covid-19. De acordo com pesquisa conduzida por universidades do Brasil, Inglaterra e Estados Unidos, o estado registrou 3,8 crianças órfãs a cada mil habitantes, ficando atrás apenas de Mato Grosso (4,4) e Rondônia (4,3).
O estudo revelou que, entre 2020 e 2021, 1,3 milhão de crianças e adolescentes de até 17 anos perderam ao menos um cuidador. Desse total, cerca de 284 mil ficaram órfãos em decorrência direta da covid-19, sendo 149 mil que perderam pai, mãe ou ambos, e 135 mil que perderam outro familiar responsável pelo cuidado.
As regiões Centro-Oeste e Norte apresentaram as maiores taxas proporcionais de orfandade, enquanto Santa Catarina e Pará registraram os menores índices. A análise mostra que a pandemia afetou principalmente famílias em situação de vulnerabilidade social, com destaque para filhos de trabalhadores da limpeza, transporte, alimentação e do setor informal.
Dados da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais indicam que 12,2 mil crianças de até seis anos ficaram órfãs entre março de 2020 e setembro de 2021. O sistema de registro civil, que vincula o CPF dos pais ao dos filhos desde 2015, permitiu identificar de forma mais precisa o impacto da pandemia.
O levantamento conclui que os efeitos sociais da covid-19 permanecem visíveis e reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à assistência social e psicológica das crianças e adolescentes afetados. O grupo é apontado como uma nova população vulnerável que requer atenção contínua do poder público.
Com informações de Campo Grande News.
