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Ex-moradora de rua relata momentos de tortura durante estupro

Violência sexual é realidade de milhares de mulheres em situação de rua

Hojemais de Três Lagoas - Bruna Taiski
12/03/18 às 10h17
Marta estuprada e agredida (Bruna Taiski / Hojemais de Três Lagoas)

A mulher em situação de rua se torna mais vulnerável por viver em um contexto permeado por preconceitos, violência, desigualdade de gênero e de direitos sociais. Marta Madalena, 31 anos, fez parte da estatística de mulheres em situação de rua que foram violentadas, ela foi rejeitada pela mãe e aos sete anos foi morar nas ruas, vivendo a infância de abrigo em abrigo. Já na adolescência com o triste histórico familiar, Marta tomou rumos que a levaram à prostituição e as drogas.

Dez anos após o ocorrido, ela relata momentos de terror que viveu. “Como eu era uma prostituta, a beleza era o que eu vendia. Na época eu me sentia uma menina linda e falava para todo mundo que se chegasse nos 30 anos eu queria morrer e Deus ouviu”, diz.

Aos 22 anos foi brutalmente espancada e estuprada. Teve os cabelos cortados, pedaços de madeiras e carvão introduzidos no órgão genital, e levou diversas pancadas até ficar com o rosto desfigurado. Ela foi encontrada dois dias depois na mata, irreconhecível.

“Eu tive traumatismo craniano, fui dada como morta no Boletim de Ocorrência. Após me encontrarem, fiquei dias sem que um homem tocasse em mim”, relata.

Marta diz não se recordar do ocorrido, e só conta a partir do que consta no Boletim de Ocorrência e no relato do irmão. “A última recordação que tenho foi a de deitar para dormir. Depois disso eu não lembro de ter saído para fazer programa. Não sei dizer se foi coisa do acaso ou alguma vingança”, conta.

Foram 15 dias em coma na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e três meses no hospital. Segundo ela, não houve audiência ou investigação do caso, no entanto não alimenta sentimentos ruins a respeito dos autores. “Se ele se arrependeu tem outra chance. Todo ser-humano se estiver arrependido, tem esse direito, sou a prova viva de que pau que nasce torto não morre torto”, diz.

Apesar do laudo médico dizer que não poderia mais ter filhos - devido a severa agressão que atingiu o útero - hoje Marta tem dois filhos e reconstrói a vida pouco a pouco com o trabalho de doméstica. Mesmo com as marcas do trauma no rosto, ela garante ser uma mulher forte.  “Hoje eu olho para o espelho e não vejo nenhuma cicatriz, o que eu olho é uma prova de Deus na minha vida”, finaliza.

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