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Golpe do consórcio, fique atento você pode ter caído nele

Anúncio é sempre atraente: saia do aluguel e venha realizar o sonho da casa própria em MS. No entanto, vítimas acreditam estar em um financiamento quando, na verdade, entraram em um consórcio

Redação  - Hojemais Três Lagoas
05/02/21 às 08h22

A Polícia Civil apura denúncias de fraude no mercado imobiliário, em Campo Grande. O anúncio, seja nas redes sociais ou até mesmo na fachada do local, é sempre atraente: saia do aluguel e venha realizar o sonho da casa própria. Ao G1 um motorista, de 49 anos e que prefere não se identificar, conta que fez inúmeras dívidas pelo sonho de comprar uma chácara, no interior do estado.


"Eu vi o anúncio, comentei com a minha esposa e, após algumas conversas pelo celular, marcamos de ir no local. Lá ele [golpista] falou que precisávamos dar uma entrada para receber uma carta de crédito e comprarmos a chácara. Em seguida, falou que tinha como facilitar o processo, com lance, se a gente desse uma entrada de pouco mais de R$ 11 mil e a carta então seria de R$ 350 mil", afirmou a vítima.
No decorrer dos dias, o golpista continuou a convencê-lo, mostrando como ocorria todo o processo e repassando uma suposta documentação legal. "Nós fomos visitar chácaras juntos, nos tornamos amigos e até combinamos de fazer um churrasco lá. Na verdade, era um amigo da onça. Depois que passei o valor para ele e mais R$ 350 para um documento no cartório, ele não atendia mais toda hora. Passou o telefone para um suposto chefe, até que cansei e procurei os meus direitos", contou.
 
De outubro de 2019 até agora, o motorista conheceu inúmeras outras vítimas e entrou em um processo coletivo. "Agora estou bem e só não fiquei com depressão porque fui persistente. Fiquei 15 dias sem dormir direito, pensando o tempo todo. Eles vão nos levando, falam que estão facilitando tudo e parece que o nosso sonho vai sair do papel", lamentou.
Neste período, visitando chácaras no interior do estado, o caminhoneiro recebeu uma data para receber o valor. "Eu já tinha negociado tudo com o proprietário, ia levar os meus filhos para passar o Natal lá e até maquinário para a chácara eu já tinha comprado. Todos nós íamos trabalhar, o dinheiro iria dar até para alguma reforma, mas, era tudo mentira. Tive que pegar mais dinheiro emprestado para pagar as contas e só agora é que estou me recuperando", disse.


Segundo a vítima, a entrada para o negócio é a partir de R$ 7 mil. Na hora de fazer a negociação, os golpistas também falam que as parcelas são fixas, sem juros e em até 200 vezes. Tem lugar inclusive que fala que não há problema algum se a pessoa tiver uma restrição no nome.


Da mesma forma, entrando em um consórcio pensando ser financiamento, a professora Luciene Moreira diz que perdeu quase R$ 10 mil. Ela também está em uma ação conjunta com outras pessoas que foram vítimas da propaganda enganosa. "A empresa prometeu que o valor do imóvel sairia no dia seguinte e precisava só da entrada. Só que isso não aconteceu", falou.


Da mesma forma, uma outra vítima, que também não quer se identificar, falou que foi enganada pela mesma empresa e teve o prejuízo de R$ 8 mil. Ao todo, são cerca de 100 reclamações da mesma empresa na Superintendência para Orientação e Defesa do Consumidor (Procon-MS).
 
"Estão vendendo mentiras ao consumidor. Prometem cartas de crédito contemplada na compra de imóveis e carros, o que na verdade isso não existe. É um consórcio simples e normal. O consumidor tá achando que no mês seguinte, na semana seguinte ele vai estar na posse do seu imóvel ou na posse do seu carro. É mentira, nós temos vários casos abertos aqui no Procon", argumentou.


O caso também está na Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo (Decon). São inúmeros boletins de ocorrência e sete inquéritos tramitando com denúncias contra empresas que vendem crédito no setor imobiliário. O Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-MS) também fiscaliza essas propagandas enganosas.

"Ao fazer o negócio, procure saber quem está fazendo esse negócio, quem é a empresa, se é uma empresa estabelecida, se é um corretor de imóveis procure o Creci pra se informar o número do Creci dessa pessoa, da imobiliária porque aí ele tá fazendo negócio com a garantia de quem é do mercado. Não vendendo ilusões", finalizou o presidente Eli Rodrigues.

(*) G1

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