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Câmara de Três Lagoas promove seminário sobre direitos e protagonismo das mulheres negras

Evento reuniu lideranças, educadoras, autoridades e estudantes para debater igualdade racial, direitos das mulheres negras, ancestralidade e combate ao racismo em Três Lagoas.

Redação - Hojemais - Três Lagoas 
23/07/26 às 07h46
(Foto: Camara realiza Seminario - Imagens: Ascom CMTLS)

Em alusão ao Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha , a Câmara Municipal de Três Lagoas promoveu, na noite desta quarta-feira (22), o seminário "Vozes que Ecoam" , reunindo lideranças, educadoras, autoridades e representantes da sociedade civil para discutir igualdade racial , valorização da cultura afro-brasileira e os direitos das mulheres negras .

A iniciativa foi proposta pela vereadora Evalda Reis e teve como presidente da mesa Cidolina de Fátima Silva Souza , presidente do Movimento de Luta das Mulheres Negras de Três Lagoas. O encontro também contou com a participação de jovens vereadores do Programa Parlamento Jovem: Mariana Tiago da Silva (Escola Funlec), Alícia Pereira (EE Jomap), Diogo de Sordi (IFMS) e Maria Eduarda (EE Dom Aquino), acompanhados de seus respectivos vereadores padrinhos.

Antes da abertura oficial, os participantes fizeram um minuto de silêncio em homenagem ao jornalista Adilson Silva , que faleceu na tarde de quarta-feira após sofrer um infarto fulminante.

Durante sua fala inicial, Cidolina destacou a importância histórica do seminário para o município e reforçou a necessidade de ampliar os espaços de diálogo sobre equidade e justiça social. Inspirada na escritora Conceição Evaristo , afirmou:

"O importante não é ser o primeiro ou a primeira. O importante é abrir caminhos. Então nós estamos aqui nesta noite abrindo caminhos."

Debates reforçam ancestralidade, igualdade racial e combate ao racismo

A programação reuniu palestras de Gislaine Imaculada de Matos Silva , Luciana Cardoso do Nascimento Silva e Franciele Soares da Silva . Também participaram do encontro Deise Cristina Silva de Camargo , presidente do Conselho Municipal dos Direitos do Negro, e Deividson de Deus Silva , subsecretário de Políticas Públicas para Promoção da Igualdade Racial de Mato Grosso do Sul, que reafirmaram o compromisso com o fortalecimento das políticas públicas voltadas à promoção da igualdade racial.

A primeira palestra foi ministrada pela bibliotecária, documentarista e coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI) do IFMS Campus Três Lagoas, Dra. Gislaine Imaculada de Matos Silva , que abordou a importância da literatura afro-brasileira e do conceito de ancestralidade.

Segundo a pesquisadora, a ancestralidade representa uma ferramenta de resistência e preservação da memória coletiva.

"A ancestralidade não é apenas uma lembrança do passado. Ela é uma tecnologia de resistência, nos ensina como permanecermos vivos, nos ensina como reconstruir o mundo quando tentam destruí-lo e nos ensina que a memória também é um direito."

Gislaine também chamou atenção para a necessidade de utilizar a terminologia adequada ao tratar das discriminações contra religiões de matriz africana.

"O termo correto seria racismo religioso. Não se trata apenas de intolerância religiosa. Essas religiões são perseguidas porque estão profundamente associadas à população e à cultura negra."

Tereza de Benguela inspira reflexão sobre resistência e direitos

Na sequência, a professora da Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso do Sul e mestre em Educação, Luciana Cardoso do Nascimento Silva , apresentou a palestra "Resistência e Direitos" , destacando a trajetória de Tereza de Benguela , líder quilombola do século XVIII que inspira o Dia Nacional da Mulher Negra .

Durante sua apresentação, Luciana ressaltou que Tereza de Benguela representa um exemplo de liderança, organização e resistência.

"Tereza não apenas resistiu. Ela governou, organizou e construiu uma experiência concreta de autonomia."

Ao encerrar sua fala, a professora destacou que os desafios atuais exigem compromisso coletivo com a construção de uma sociedade mais justa.

"Se no século XVIII Tereza de Benguela lutava para garantir a liberdade e a sobrevivência do seu povo, no século XXI nossa missão é construir uma sociedade fundada na igualdade racial, na reparação histórica e no bem viver."

Seminário fortalece o debate sobre políticas públicas

O seminário reforçou a importância de ampliar os espaços de discussão sobre direitos humanos , igualdade racial , combate ao racismo e valorização da história e da cultura afro-brasileira. O encontro reuniu representantes do poder público, instituições de ensino, movimentos sociais e estudantes, fortalecendo o diálogo em torno de políticas públicas voltadas à promoção da equidade e do respeito à diversidade.

Fonte: Ascom/Câmara Municipal de Três Lagoas.

 

 

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