A Câmara Municipal de Três Lagoas abriu espaço para uma importante discussão sobre saúde mental, prevenção ao suicídio e proteção de crianças e adolescentes . Na noite desta quarta-feira (2), o plenário do Poder Legislativo recebeu estudantes, autoridades e profissionais de diferentes áreas durante um seminário alusivo à campanha Setembro Amarelo .
A realização foi proposta pelo presidente da Câmara, vereador Tonhão , atendendo a uma solicitação da jovem vereadora Hávila Silva , integrante do programa Parlamento Jovem e estudante da Escola Estadual Edwards Corrêa.
O encontro também contou com o apoio e a presença do vereador Fernando Jurado e dos jovens vereadores Hávila Silva, da EE Edwards Corrêa, e Mariana Tiago, da Funlec, ambas apadrinhadas pelo vereador Tonhão; Miguel Nogueira, da EE Fernando Corrêa, apadrinhado pelo vereador Davis Martinelli; e do suplente Miguel Pereira, da EE Afonso Francisco Xavier Trannin.
Representando o Poder Executivo, participou a secretária municipal de Educação, Angela Brito. Também integraram a mesa de honra a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), Elizethe Aparecida da Silva; o diretor da EE Edwards Corrêa, Edevaldo Porto Viator Junior; a diretora de Apoio Técnico à Gestão da Assistência Social, Daiane Queiroz Alves, representando a secretária Rosemeire Cardoso; a coordenadora da Educação Especial da Semed, Miriam Vieira Batista; o diretor da Escola de Campo do Arapuá, Celso Maioli; e a rainha honorável da Bethel, Isabela Amaral.
Tonhão destaca participação dos jovens
Ao abrir o seminário, o presidente Tonhão ressaltou o protagonismo do Parlamento Jovem e destacou que a realização do encontro nasceu justamente da iniciativa de uma estudante.
“Por isso, estamos hoje aqui para discutir esse tema tão importante e sensível com pessoas especialistas”, afirmou o presidente.
A jovem vereadora Hávila Silva protagonizou um dos momentos mais marcantes da noite. Ao iniciar sua participação dizendo que queria falar sobre “uma necessidade”, ela relatou a experiência de perder um colega da escola.
“Perdemos um aluno na minha escola, um amigo. Imagina um dia ir para a aula e olhar para uma mesa vazia porque um colega seu tirou a própria vida”, relatou.
Hávila também defendeu a ampliação das iniciativas do poder público voltadas à saúde mental dos jovens e deixou uma reflexão sobre o futuro. “Dizem que somos o futuro da nossa sociedade, mas eu não quero mais ver jovens perderem suas vidas, pois se for assim, como será o futuro da nossa cidade?”, questionou.
Rede de proteção e atendimento
Durante a programação, o técnico do Sest Senat, Jorge Fachini, apresentou o projeto Proteção, desenvolvido pela instituição, e abordou os diferentes tipos de violência aos quais crianças e adolescentes podem estar expostos.
Na sequência, o coordenador da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) , Igor Queiroz Paez, apresentou a estrutura de atendimento disponível em Três Lagoas, mostrando os serviços que integram a rede municipal de cuidado e atenção à saúde mental.
A proposta do seminário foi aproximar essas informações dos estudantes e da comunidade, ampliando o conhecimento sobre prevenção, acolhimento e os caminhos disponíveis para quem necessita de acompanhamento.
Psicólogas reforçam importância do acolhimento
A psicóloga Andrea Cardoso abordou a necessidade de enxergar além do comportamento apresentado por uma pessoa que enfrenta sofrimento emocional.
“Existe uma pessoa inteira por trás daquele comportamento. Uma história. Necessidades. Medos. Relações. Perdas. Conflitos. E, muitas vezes, uma enorme dificuldade de colocar em palavras aquilo que está sentindo”, destacou.
Andrea também chamou a atenção para a forma como o sofrimento suicida deve ser compreendido. Segundo a profissional, muitas vezes existe o desejo de interromper uma dor considerada insuportável, situação que exige atenção, acolhimento e cuidado especializado.
“Isso não significa romantizar o suicídio, muito pelo contrário, significa reconhecer a gravidade do sofrimento e a necessidade de cuidado”, explicou.
A psicóloga do Ambulatório de Saúde Mental, Jordana Barbosa, direcionou parte de sua participação às famílias e destacou a responsabilidade dos pais na formação e no acompanhamento dos filhos.
“Exerça seu papel de pai. O não também é uma forma de amor. Primeiro é preciso ser pai e mãe, depois amigo dos seus filhos. A amizade deve ser uma consequência e não o foco”, afirmou.
Parlamento Jovem reforça compromisso
No encerramento, a presidente do Parlamento Jovem, Mariana Tiago, destacou que os jovens parlamentares continuarão defendendo ações relacionadas à saúde mental e à proteção da juventude.
A secretária municipal de Educação, Angela Brito, classificou o tema como importante e emergencial e ressaltou que é necessário ir além de simplesmente ouvir quem enfrenta dificuldades.
“Escutar não é ouvir. Escutar tem uma dimensão muito maior”, afirmou.
Angela também elogiou a coragem de Hávila Silva em compartilhar uma experiência pessoal e transformar a situação vivenciada em uma proposta de discussão dentro do Poder Legislativo.
“Ela fez uma crítica, mas trouxe solução. Esperançar é movimento! E que nós sigamos o passo dessa jovem mulher empoderada”, declarou.
O seminário reforçou o papel da Câmara Municipal de Três Lagoas como espaço de diálogo entre juventude, poder público, profissionais e sociedade, especialmente diante de um assunto que exige informação, prevenção e acolhimento.
A iniciativa também evidenciou a participação do Parlamento Jovem , permitindo que demandas apresentadas pelos estudantes cheguem ao Poder Legislativo e sejam transformadas em debates de interesse da comunidade.
A íntegra do seminário está disponível no canal da Câmara Municipal de Três Lagoas no YouTube.
