Um jovem natural do Estado da Bahia escapou da morte na última quarta-feira, 6, em Três Lagoas, depois de ser atraído para um ‘tribunal do crime’ na Vila São João.
Segundo apurado pelo Hojemais, por volta da 1h50, uma equipe da Força Tática foi solicitada a comparecer no UPA (Unidade de Pronto Atendimento) onde um jovem teria buscado ajuda após ter sido sequestrado e mantido em cárcere privado desde a tarde de domingo, 3.
Em contato com os policiais, a vítima explicou que ele e mais dois amigos vieram da Bahia, com seus familiares, para trabalharem em Três Lagoas e passaram a residir na Vila São João. Na tarde do domingo, participaram de uma festa no bairro e ao retornarem para casa foram atraídos até um imóvel onde foram rendidos, amarrados e ameaçados com armas de fogo.
A Força Tática na companhia da vítima foi até o cativeiro na tentativa de encontrar as outras duas vítimas, porém sem sucesso. O jovem explicou aos militares que ele e os amigos foram amarrados, e ficaram de joelhos um ao lado do outro. Por um descuido de um dos acusados que estava em uma ligação, ele aproveitou e saiu correndo para pedir ajuda.
No imóvel, os policiais encontraram marcas de sangue, o que os levaram a acreditar na hipótese do grupo ter assassinado as outras duas vítimas. A vítima foi levada à Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) para as providências cabíveis.
PRISÃO
A Polícia Civil de Três Lagoas, através do Setor de Investigações Gerais—SIG- e 3ºDP (Delegacia de Polícia), após tomar conhecimento do crime, efetuou diligências pelos bairros Carioca e São João, o que resultou na prisão em flagrante de quatro indivíduos integrantes de uma facção criminosa, os quais estão sendo acusados de sequestrar os três rapazes, sob acusação de pertencerem a uma facção rival. Durante o período que as vítimas ficaram sob o poder dos criminosos, elas passaram por três cativeiros.
Em nota, a Polícia Civil informou que as vítimas foram questionadas se faziam parte da facção rival, isso porque haviam constatado que o parente de uma delas postou foto em rede social, fazendo sinal com as mãos que indicava pertencer à facção rival.
Mesmo negando tal fato, as vítimas foram mantidas em cativeiro até à tarde da última terça-feira (05) e, depois, levadas até um terreno onde funciona um depósito de reciclagem, onde seriam executadas.
De acordo com a nota, de posse das informações as Polícias Civis de Três Lagoas, do SIG e 3ºDP, passaram a diligenciar durante todo o dia e noite desta quarta-feira (6), o que resultou nas prisões de quatro envolvidos nessa trama criminosa, os quais foram autuados em flagrante por crimes de sequestro e cárcere privado, tentativa de homicídio contra a vítima que fugiu e participação em organização criminosa.
Um quinto envolvido foi identificado ainda durante as diligências realizadas pela Força Tática, mas o mesmo não foi localizado. As buscas prosseguem para prender o quinto acusado, bem como de localizar mais envolvidos, haja vista que, segundo a vítima que fugiu, o bando que tentou contra sua vida era composto de cerca de dez pessoas.
As duas vítimas que não conseguiram fugir do cativeiro não foram localizadas e, segundo informações colhidas na região, foram ouvidos disparos de arma de fogo, seguido de fugas de veículos, o que leva a crer que tais vítimas possam ter sido mortas e seus corpos levados dali para dificultar os trabalhos de investigação.
Em continuidade às diligências, sobre o crime de sequestro e cárcere privado, tentativa de homicídio, dentre outros, que resultaram na prisão de quatro integrantes de facção criminosa, na manhã de quinta-feira (7), por volta das 11 horas, no bairro Vila Haro, os policiais civis efetuaram a prisão de mais um envolvido no ‘tribunal do crime’ o qual foi encontrado numa residência da rua Bandeirantes, sendo então levado até a sede do SIG, onde foi prontamente reconhecido pela vítima e acabou confessando sua participação no crime, alegando desconhecer o paradeiro das duas vítimas que se encontram desaparecidas.
Pelo que se apurou, este quinto indivíduo preso, faz parte de uma organização criminosa que age em todo o Brasil, sendo natural da cidade de Santa Bárbara D’Oeste-SP.
Após ser formalizada sua prisão, ele foi encaminhado ao sistema prisional local, à disposição da Justiça. Diligências prosseguem no intuito de localizar as vítimas desaparecidas, bem como outros envolvidos nesse bárbaro crime.
Denúncias poderão ser realizadas através dos telefones (67)3929.1173; (67) 3521.4984 ou (67)99226.8210(Whatsaap).
Até o fechamento desta edição, a polícia ainda não tinha localizado as duas vítimas.
