É comum que bebês prematuros precisem passar um período em uma Unidade de Terapia Intensiva antes de irem para casa, não é à toa que as mães dos pequenos são chamadas de “mães de UTI”.
Em alguns casos, são apenas dias de observação, mas em outros podem se passar meses até que elas possam pegar os filhos no colo. Quanto mais cedo o bebê nasce, mais longo costuma ser esse período.
Toda mãe é um ser guerreiro por natureza. Mas as ‘Mães de UTI’ ou ‘Mães de Prematuro’, precisam ser guerreiras em dobro. Lutadoras, perseverantes, resilientes, frágeis a ponto de desabar a qualquer momento, mas com uma força absurda. Uma força que talvez venha de um útero vazio antes do tempo.
A Batalha de mãe e filha
Veja o relato de Miria Ribeiro dos Santos Gobo, advogada e mãe de Maria Clara dos Santos Gobo.
“Em meados de julho de 2017 realizamos um grande sonho eu e meu marido de termos um bebê, quando descobrimos a gravidez foi só alegria. Afinal planejamos por um ano.
Após 14 semanas tive pressão alta, repouso total, mas com restrição de crescimento e calcificação de placenta, ou seja, não estava nada bem, o ginecologista dizia que cada final do dia era uma vitória, ao entrar na 30ª semana (07 meses) a pressão já não controlava, o medo era diário e nesta consulta o obstetra disse que poderia nascer a qualquer momento.
Fui para Rio Preto e fiquei internada por 3 semanas, com a gestação foi até 33 semanas e no dia 26 de fevereiro de 2017 nascia Maria Clara com 36 cm e 1.200kg sem respiração e frequência cardíaca, não tive a tão sonhada foto com a bebê e meu marido ou o resguardo, mas reanimaram a minha filha e após nascimento iniciava a luta pela vida da bebê que foi direto para UTI neonatal, tirava leite que era passado por sonda.
Fiquei internada junto com ela, para ela aprender a mamar, a respirar, sugar. Passamos por momentos que jamais pensamos um dia, mas passaríamos tudo de novo por ela.
Aprender a dar banho em uma bebê tão pequenininha, com sonda, sensor e monitores, foi um momento lindo, mas de medo também. Banho era uma vez por semana, porque perde gramas e gramas era o que nos aproximava da tão sonhada alta. Quando ela perdia gramas eu chorava o dia inteiro, pode parecer não ser nada, mas para mãe de prematura é muito.
A amamentação também fazia a minha filha perder grama, ela ganhava 90 gramas em um dia e perdia 45 gramas no outro. Assim passavam os dias que durou no total 67 dias de hospital.
Passamos por momentos de dor, insegurança e medo o qual pedíamos a Deus todos os dias para termos a vitória de trazer nossa princesa para a casa.
Com quase 2 meses e com 2kg tivemos alta e viemos para casa, com restrições e sem visita por 4 meses porque ela não tinha imunidade alguma afinal era para estar na barriga ainda. Recebemos muitas críticas, mas o importante é o bem-estar da nossa filha que sem receber visitas teve ‘bronquiolite’ e ficou mais uma semana na UTI no dia das mães.
Hoje é a nossa vida. Tudo que fazemos é pensando nela e por ela, não vejo mais as nossas vidas sem ela, ela é a alegria é o nosso amor e coração em pessoa que está com um ano e saudável.
Agradeço ao meu marido e o melhor papai Gustavo Gobo que é minha rocha na adversidade e minha mãe Margarete Santos por todo amor e carinho por nós”.