Mães dos jovens que morreram em confronto com a polícia na quinta-feira passada (12) em Três Lagoas, falaram sobre as mortes com exclusividade a reportagem do Hojemais e pediram respeito por parte da população ao luto da família.
Luciene Farias Guimarães, 37 anos, é três-lagoense e mãe de Marlon Farias da Silva, 16 anos, ela diz não acreditar em troca de tiros e pede para que compreendam sua dor.
“Se foram três da família, da forma que foi, está doendo demais na família. As pessoas têm que parar de julgar e colocar um pouco mais de compaixão no coração. A justiça está aí para isso para ser feita da forma certa”, diz.
Segundo Luciene, o fato foi uma ‘peça do destino’, no entanto concorda com as punições da justiça e que os crimes deveriam ser pagos em vida.
“Isso foi uma tragédia, foi fatalidade. Meu filho trabalhava no condomínio, o Matheus pensionista, e o Maicon está há três meses na cidade, trabalhou três anos na fazenda. Eles foram lá, eles erraram, não sei o que passou na cabeça deles naquele dia, mas que pagassem da forma que tem que pagar”, afirma.
Aleir Batista Rodrigues, mãe de Matheus Batista Rodrigues, 17 e Maicon Douglas Batista Rodrigues, 20 anos, descreve os adolescentes como filhos amorosos, mas concorda com Luciene e enfatiza que os filhos deveriam ser punidos pelas infrações cometidas.
“Meus filhos erraram sim, foram lá, mas não mereciam morrer desta forma. Com a família, eles eram muito amorosos, cuidavam dos irmãos, sempre estavam com sorriso no rosto. Sempre me ajudou, sempre estava com os primos. Cometeram esse erro, podia ser preso, mas nunca essa crueldade. Quero que tudo se esclareça da melhor forma possível. Quero saber o que aconteceu realmente naquele dia”, relata.
Aleir descobriu a morte dos filhos enquanto estava trabalhando, ela viu a notícia na internet e reconheceu um deles na foto. Ela se deslocou até o hospital e viu Marlon e Matheus na maca.
Foram publicadas fotos e vídeos apontando ferimentos nos corpos dos adolescentes, durante o velório a família reparou que estavam machucados nos pulsos, pescoço, braços e joelhos. A família assegura o desejo em saber o que houve no dia.
“A avó sofre bastante. Vi meus filhos na quarta-feira, conversaram, pediram benção e no outro dia recebi a notícia que o Matheus foi baleado”, pontua.
Boatos
Após a morte, Maicon foi apontado como autor de estupro de vulnerável. A mãe explica que ele namorava uma menina menor de idade, mas que havia consentimento do pai e da mãe da garota.
“Não tem porque falar que era estupro e difamar ele agora, falando coisas que não são verdadeiras, eles namoravam há quatro meses”, relembra.