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'Me sinto péssima e não vou medir esforços para ter meus filhos de volta', diz Maika Nunes

Ela é mãe de três crianças e tem apenas 21 anos.

Hojemais Três Lagoas - Bruna Taiski / Danielle Brito / Ygor Andrade
23/04/18 às 13h14
Maika Nunes (Aurora Villalba)

Ela é mãe de três crianças e tem apenas 21 anos. Suas crianças, aliás, foram levadas pelo Conselho Tutelar e colocadas para adoção. Maika Luzia  Nunes é moradora de Três Lagoas e sua história já é conhecida por bastante gente. Mesmo assim, o Hojemais foi conversar com ela para saber a fundo tudo sobre a jovem.

A jovem, que hoje trabalha e tem esposo, conta que sua vida não foi fácil. Teve o padrasto assassinado, pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) dentre de casa, na frente da mãe e do irmão mais novo. “Ele ficou 31 anos preso; assim que saiu, cinco dias depois, ele foi morto em casa”, relata ela, relembrando que sua mãe foi ameaçada pelos assassinos de seu padrasto. “Disseram que ela morreria em 24 horas”, diz ela que ainda menciona várias viaturas no velório de seu padrasto.

Com isso, à época, a promotoria da cidade acabou levando a mãe de Maika para “morar” dentro do Batalhão da Polícia Militar. “A gente acabou ficando sozinho em casa. Menores de idade, sem ninguém para cuidar de nós e tendo que se virar”, comenta.

Poucos dias depois, a mãe de Maika foi levada para Brasília, num programa de proteção à testemunha. “Só ficamos sabendo por que no dia de visita-la, ela entrou em desespero e acabou contando. Mas adiantou, ela foi embora e novamente nós ficamos, menores de idade, sozinhos”, ressaltou. A mãe de Maika ainda teria questionado o que aconteceria com seus filhos. “A promotoria disse que ‘daria um jeito’. Nós ficamos praticamente jogados e minha mãe arrumou um celular escondido que ela usava dentro do guarda-roupa por que a casa onde ela ficava era monitorada 24h”, diz a jovem que ainda comenta seus dias de choro por conta da fome e por não ter quem cuidasse dela e de seus irmãos.

“No meu aniversário, minha mãe deu um jeito de vir me ver. Ela me ligou e disse para eu ir para Andradina; e eu fui de carona. Chegando lá, vi minha mãe linda, estava mais gordinha. Me abraçou, me beijou, dizendo que abandonou tudo e todos para ficar comigo. Alguns dias depois, por ter abandonado o programa de proteção a testemunha, um cara tentou matar ela dentro da casa de uns amigos onde estava”, relembrou.

Sozinha com seus irmãos dentro de casa, Maika relembra que o mais velho ficava no quartel e não ajudava nos cuidados dos menores. “Éramos menores de idade. Ficamos sozinhos o tempo todo na casa que era da minha mãe, onde morávamos com ela. Quando ela ficou presa, eu levava meu irmão, que tinha só um ano, para amamentar. A gente não tinha muito o que fazer, minha mãe começou a trabalhar dentro do presídio e a marmita que ela ganhava, a gente buscava para poder comer. O pessoal do presídio nos alimentava”, pontuou ela questionando em seguida: “Onde estava o conselho tutelar nessa época?”

A jovem chegou a fazer tratamentos psicológicos para superar esses episódios.

Hoje, com emprego e casada, Maika diz que não vai medir esforços para ter seus filhos de volta. “Não sei qual a cidade para onde eles foram depois da adoção; fiquei sabendo por terceiros que eles já não estavam mais no abrigo, mas vou até o fim para ver meus filhos de volta perto de mim. Me sinto péssima e vou lutar até onde for possível para ter eles de volta”, finalizou Maika.

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