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Número de mulheres aumenta no comando de propriedade rurais

A área rural sempre foi um ramo de negócio encarado como estritamente masculino, mas essa realidade vem mudando nos últimos anos

Emily custódio - Hojemais Três Lagoas
19/09/20 às 06h00

A área rural sempre foi um ramo de negócio encarado como estritamente masculino. Mas essa realidade vem mudando nos últimos anos.   A prova disso são os dados mais recentes do Censo Agro, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostram um crescimento de 5% de propriedades rurais geridas por mulheres. 

 O número passou de 13% em 2006 para 19% das propriedades dirigidas por mulheres em 2017. 

A pesquisa mostra que em geral, as mulheres à frente da propriedade rural é uma filha herdeira ou uma viúva. 

“Há 30 anos atrás existia uma cultura de que a mulher era apenas o apoio dentro de casa. Mas observamos que esses homens eram 5 ou 10 anos mais velhos que suas esposas, então eles faleciam mais cedo que elas”, percebeu Ivan Carrato, presidente do Sindicato Rural de Três Lagoas. 

Desta forma, assim como em todo Brasil, em Três Lagoas restavam a essas mulheres – após a morte do marido - arrendar suas terras para continuar tendo lucro. 

“Com a facilidade das redes sociais muitas mulheres se empenharam na busca de informação e conhecimento. E na administração das propriedades houve a necessidade de uma gestão mais colaborativa. Então, hoje as mulheres tocam muito bem suas propriedades”, disse Carrato, e completou: “Para os homens é muito importante a participação da mulher, poder conversar sobre os problemas e ter uma visão diferente é muito mais fácil. A mulher é cuidadosa, tem olhar clínico, é observadora e é muito organizada”. 

O agronegócio ainda é muito masculino e precisa valorizar mais a mulheres do campo na transformação da sociedade. O avanço feminino significa fortalecer o crescimento e a produtividade. 

O agronegócio foi destaque no resultado do PIB do segundo trimestre de 2020, período em que a economia Nacional foi afetada pela pandemia e caiu 9,7%. No mesmo momento, a atividade rural mostrou sua força e cresceu 0,4%. 

Em Três Lagoas, nesse mesmo período, houve um crescimento tanto na área florestal, como também na produção de gado de corte e de leite. 

Esse bom resultado em uma época tão desafiadora deve-se não apenas ao homem do campo, mas também, cada vez mais, às mulheres. 

Elas estão no campo mostrando toda a capacidade e força. Este é o caso de Rosângela Gastral, que possui uma empresa de gestão de fazenda, onde faz a gestão de propriedades e de reprodução, além de assessoria pecuária. 

Rosangela começou trabalhando em fazenda aos 15 anos, hoje, 25 anos depois é formada em agronegócio e pós-graduada em gestão ambiental.  

“Tive dificuldades no começo, época em que o campo era área estritamente masculina, de pessoas tradicionalistas. Foi difícil conseguir a confiança não apenas dos pecuaristas, mas também dos trabalhadores do campo”, contou Rosângela. 

Ela faz parte de um grupo muito unido: as Mulheres do Agronegócio de Três Lagoas (Matrel). Esse grupo, estritamente de mulheres – como o próprio nome já diz - é dedicado a buscar qualificação, debater problemas e trocar experiências. 

“Antes as mulheres tinham dificuldade até para resolver o problema de uma peça no trator. Elas não sabiam o que estava acontecendo com o equipamento e muitas vezes eram enganadas. Hoje elas já sabem quais peças existem, quanto custa e qual é o problema que o trator tem”, explicou Rosângela. 

Neste contexto, usar o termo ‘fazenda de viúva’, como pejorativo para uma terra não produtiva e bagunçada, não faz parte mais da realidade das propriedades rurais nem de Três Lagoas, nem de qualquer parte do Brasil. 

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