Esta semana a atriz, Samara Felipo, expos em seu Instagram mensagens racistas que recebeu direcionadas as suas filhas, segundo Samara o objetivo é promover uma reflexão sobre o assunto, especialmente para as pessoas brancas.
"Não adianta você simplesmente dizer que não é racista. É preciso pensar e agir. Imaginem quantas crianças pretas sofrem todos os dias, deixam de estudar, machucam seu coro cabeludo para alisarem os cabelos, se odeiam e crescem cheias de dores e traumas", completou.
A produtora três-lagoense, Nath, conta que já passou por este sofrimento, “Quando eu era criança, me convenceram de que eu não devia gostar do meu cabelo. Devia prendê-lo, alisá-lo, fazer de tudo para escondê-lo. E eu obedeci. Passei horas queimando os cachinhos e se não o fizesse, sentia vergonha de mostrar minhas raízes crespas (que sempre insistiam em marcar presença)”.
Mas, em dado momento, perguntaram a produtora se ela estava feliz com aquilo. Foi quando ela percebeu que já não reconhecia a figura de cabelos lisos no espelho, onde decidiu mudar, o que foi segundo ela sem dúvida uma das melhores decisões que já tomou.
“Aticei os cachos e disse a mim mesma que, se alguém não consegue reconhecer a beleza deles, o problema está na pessoa, e não nas lindas florzinhas cacheadas que brotam da minha cabeça.
Hoje, meu cabelo se tornou minha identidade, ninguém fala de mim sem falar dele, e sinto que ele é uma parte da minha personalidade. Eu não seria a Nath sem ele, e sinceramente, não quero ser ninguém além de mim mesma”.
Símbolo de luta
Nos anos 60, o cabelo afro foi um dos principais símbolos de grupos que lutavam pelos direitos civis nos Estados Unidos, que sofria fortemente com a segregação racial – e um dos mais famosos foram os Panteras Negras.
Os Panteras Negras tinham como pauta a aceitação da beleza negra, e o cabelo era um elemento indispensável nesse contexto. As mulheres negras foram protagonistas no movimento e ganhavam as ruas com seus cabelos crespos evidenciados em expressivos black powers, mostrando que a luta por direitos iguais incluía usar o cabelo como elas quisessem.
Mais que apenas uma valorização da estética do cabelo afro, o grupo incentivava que os negros parassem de fazer procedimentos estéticos que minimizarem os seus traços, como alisar o cabelo, e ainda criaram o lema “Black is Beatuiful”, para reforçar esse posicionamento.
