A atenção ao que se come ganhou outra dimensão e hoje, para muitas pessoas, é essencial saber como os produtos foram plantados, tratados e colhidos, até chegarem ao prato. É nesse contexto que a alimentação orgânica e as hortas caseiras vão ganhando espaço. O guia completo para inserir os novos hábitos na rotina estará nesse saboroso e nutritivo especial.
Muito se fala em alimentação orgânica; apesar de parecer uma mudança difícil, é muito fácil inserir os alimentos saudáveis e livres de agrotóxicos dentro da dieta. O aumento da longevidade e o avanço da medicina trouxeram a esperança por mais dias de vida e a receita para alcançá-los.
Nutricionistas defendem que faz toda a diferença comer o que se planta; a escolha do que comer pode ser definidora de mais saúde e qualidade de vida. Segundo Suellen Magro, nutricionista e sócia-proprietária do restaurante de comida saudável em Três Lagoas ‘SOS Nutrir’, os alimentos orgânicos são sempre uma boa pedida para o cardápio.
“Os alimentos orgânicos são cultivados livres de componentes químicos, como agrotóxicos, antibióticos e fertilizantes, não oferecendo resíduos desses compostos ao organismo, sendo seguros para saúde. Os alimentos orgânicos são também, mais nutritivos em relação aos convencionais, pois apresentam mais vitaminas e minerais, além de substâncias antioxidantes” - diz.
O uso de agrotóxicos afeta significativamente o sabor, o aroma, a forma e a textura dos alimentos. Livres dessa interferência, o sabor e o aroma ficam muito mais intensos, puros e acentuados. Além disso, frutas e vegetais orgânicos crescem mais lentamente e tendem a ser menores. “Esses alimentos são mais saudáveis, pois são livres de agrotóxicos, hormônios e outros produtos químicos - e são mais saborosos; assim, também se evitam problemas de saúde causados pela ingestão de substâncias químicas tóxicas” - explica a nutricionista.
A agricultura convencional - por se valer de mecanismos e tecnologias artificiais para a proteção da lavoura - é muito agressiva ao meio ambiente. As prováveis contaminações podem perdurar décadas e causar impacto até em quem ainda nem nasceu. Esse tipo de categoria orgânica também protege futuras gerações de contaminação química.
“A intensa utilização de produtos químicos na produção de alimentos afeta o ar, o solo, a água, os animais e as pessoas. A agricultura orgânica exclui o uso de fertilizantes, agrotóxicos ou qualquer produto químico e tem como base de seu trabalho a preservação dos recursos naturais. Por isso, além do benefício para a biodiversidade, também nutre e reduz riscos de alergias, intolerâncias e patologias graves em crianças” - afirma.
Amiga dos agricultores
Em sua maioria, a produção orgânica provém de pequenos núcleos familiares que têm, na terra, a sua única forma de sustento. Mantendo o solo fértil por muitos anos, o cultivo orgânico prende o homem à terra e revitaliza as comunidades rurais.
A qualidade do produto orgânico tem de ser assegurada pelo Sistema Brasileiro de Conformidade Orgânica, coordenado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o que garante ao consumidor que está adquirindo produtos mais saudáveis e isentos de qualquer resíduo tóxico.
São mais caros e bem difíceis de serem encontrados. Até há algum tempo, eram exatamente esses dois fatores que faziam com que os alimentos orgânicos estivessem longe da mesa da maioria de nós. Mas, a boa notícia é que o preço pode diminuir quando a produção e o consumo aumentarem. No entanto, na impossibilidade de adquirir um alimento orgânico, lavar bem os vegetais em água corrente e remover a casca dos vegetais e frutas ajuda a reduzir parcialmente os resíduos dos agrotóxicos.
Hortas caseiras
Além de ser economicamente viável, ter uma horta caseira é uma atividade saudável para a mente e para o corpo. Colher os produtos frescos, com suas vitaminas e minerais preservados são alguns dos benefícios das hortas.
A qualidade do produto é melhor, pois quando o indivíduo cuida corretamente da sua horta, ele consegue garantir alimentos que são colhidos na hora em que vão ser usados e que, portanto, suas qualidades nutricionais estão mais preservadas.
“A agricultura orgânica é mais sustentável e respeita o solo, a água, a fauna e a flora, não afetando o meio ambiente. É muito feliz quem tem à disposição frutas, legumes e verduras orgânicas a qualquer momento do dia; isso se reflete em saúde e qualidade de vida para quem consome” - ressalta a nutricionista Suellen Magro.
O estudante Felipe Nascimento – de 19 anos - é adepto da alimentação vegana. Ele diz amar orgânicos e está iniciando a sua própria hortinha. Sua rotina alimentar permanece nutritiva e saborosa, mesmo com as restrições.
“Geralmente, um produto orgânico tem o selo de produto orgânico certificando. E em relação a produtos não industrializados consumo de um agroprojeto da UFMS, uma feirinha orgânica que acontece às terças-feiras” - afirma.
“Eu comecei agora a plantar algumas ervas aromáticas, como hortelã, manjericão, orégano, alecrim, lavanda. E os benefícios de você ter uma hortinha em casa sem agrotóxicos é que pode estar sempre à sua disposição e não irá fazer mal” - completa
Como iniciar uma alimentação orgânica e econômica?
Os produtos orgânicos tendem a ser mais caros porque são produzidos em menos escala; por isso, o custo de produção é mais alto do que o convencional. Confira as dicas para quem pretende aderir a uma alimentação mais natural e orgânica sem gastar muito.
Evite, ao máximo, os alimentos processados - mesmo os orgânicos - como pães, biscoitos, doces, molhos, sucos, embutidos e pratos prontos.
Os vegetais orgânicos não são tão mais caros que os não orgânicos e consumi-los é bem mais seguro. Entre os orgânicos, verduras de
folhas, tomate, pimentão, legumes e frutas que tendem a acumular resíduos na casca ou que absorvem maior quantidade de agrotóxicos são itens pelos quais vale a pena pagar um pouco mais.
Se o orçamento não permitir a compra de vegetais orgânicos, escolha na feira do bairro a alface, a couve, lave as verduras muito bem.
Quem puder pescar ou tiver a disponibilidade de peixes não criados em cativeiro já faz uma boa economia e se alimenta muito bem, sem recorrer a enlatados e produtos industrializados.
Vísceras ou miúdos e órgãos internos, como moela, fígado, língua, bucho e coração contêm proteínas, gorduras, vitaminas e minerais importantes, não são caros e rendem bastante. – Fonte: Dicas de mulher