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Parteiras Urbanas: Trazendo amor ao mundo

Parteiras Urbanas ressurgem com ainda mais amor e cuidado

Thais Dias  - Hojemais Três Lagoas
22/01/21 às 17h01
Michelle Gonçalves, desmistificou as diferenças entre parto normal e os chamados partos humanizados (Foto:Arquivo Pessoal)

Quando ouvimos falar de parteira prontamente nossa mente nos leva às mulheres que vivem em lugares mais distantes, especialmente na zona rural, as parteiras de tradição. 

As chamadas Parteiras Urbanas são enfermeiras obstetras ou obstetrizes, profissionais com formações distintas, mas com competência técnica e respaldo do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) para atuar no parto de baixo risco, em hospitais, casas de parto ou em domicílio.

A enfermeira obstetra é uma profissional graduada em enfermagem com especialização em obstetrícia; Já a Obstetriz escolheu como graduação a obstetrícia, curso realizado pela Universidade de São Paulo (USP). Ambas têm a mesma autonomia, e estão aptas a acompanhar pré-natal e atender partos de baixo risco.

No caso do parto domiciliar, as parteiras urbanas possuem total autonomia no atendimento. Nos hospitais, sua autonomia varia de acordo com o protocolo adotado pela instituição. Nos hospitais públicos, em geral, são elas que conduzem todo o processo e o médico só é acionado em caso de intercorrência. 

“Na verdade ‘parto normal humanizado’ não é um tipo de parto, e sim a forma da assistência ao parto, pautada no respeito ao processo natural do parto " Michelle. Foto:Arquivo Pessoal

A reportagem do Hojemais entrou em contato com duas destas parteiras, que nos tirou algumas dúvidas sobre parto. Michelle Gonçalves, desmistificou as diferenças entre parto normal e os chamados partos humanizados, “Na verdade ‘parto normal humanizado’ não é um tipo de parto, e sim a forma da assistência ao parto, pautada no respeito ao processo natural do parto e as escolhas da mulher e da família. 

Todo parto que acontecer pela via vaginal é um parto normal. Mas no Brasil o que deveria ser ‘parto normal’, em sua grande maioria se dá como ‘anormal’. Porque a assistência tradicional Obstétrica é baseada na utilização de procedimentos e intervenções de rotina que para a medicina baseada em evidência classificam-se como desnecessárias.

Posso citar aqui alguns exemplos de intervenções desnecessárias: romper a bolsa das águas entre 6 e 8 centímetros de dilatação, raspagem dos pelos pubianos, jejum, lavagem intestinal, administração rotineira de ocitocina, episiotomia (corte no períneo, tão conhecido "pic" ) dentro outras.”

“Na verdade ‘parto normal humanizado’ não é um tipo de parto, e sim a forma da assistência ao parto, pautada no respeito ao processo natural do parto " Michelle Gonçalves 

Evelly Vitoria Azevedo de Souza. Foto:Arquivo Pessoal

Evelly Vitoria Azevedo de Souza, que é enfermeira obstétrica de formação e como ela mesmo diz, parteira de coração, nos explicou que o parto mais indicado é aquele que a mulher estudou, se informou com base na ciência e junto do profissional que a atende, escolheu de forma consciente. “É claro que o parto normal é mais saudável por não ser uma cirurgia que tem vários riscos, porém a escolha dessa mulher precisa ser sempre levada em consideração”, disse. 

A América Latina é a região com maior taxa de cesáreas (44,3% dos nascimentos) do mundo, e o Brasil é o segundo país que mais realiza esta cirurgia, segundo um estudo que alerta para a epidemia mundial deste parto, recomendado apenas em casos específicos. O número de nascimentos por cesárea no planeta praticamente duplicou em 15 anos, de 12% para 21% entre 2000 e 2015, e superou os 40% em 15 países, a maioria da América Latina e do Caribe.

“Um dos pilares da humanização do parto é a assistência multidisciplinar. Assim os cuidados com a gestação e parto ficam completos e não apenas centrada nas mãos de uma classe profissional.

Segundo a OMS, a atuação das parteiras Urbanas ajudaria salvar as vidas de 4,3 milhões de mães e bebês até 2035. Nós estamos ali para ajudar a família. Em nossa assistência a mulher tem com quem contar. Prezamos em especial pelo vínculo e intimidade construída entre parteira e família durante a gravidez através do pré-natal, durante o parto e no puerpério”, explicou Michelle Gonçalves. 

“Um parto normal além de ter a ativação da cascata hormonal para que o corpo da mulher e do bebê se prepare para aquele processo, tem uma recuperação mais saudável e rápida, geralmente favorece a ejeção mais rápida de leite na amamentação e está relacionada a desfechos mais favoráveis para o binômio mãe e bebê, como prevenção de hemorragia na mulher, menor chance de infecções, embolia pulmonar, laceração acidental de algum órgão, como bexiga, também não há como prever a reação da paciente à anestesia, além de problemas de cicatrização que podem afetar a próxima gestação; para o bebê, menor taxa de internação em UTI neonatal por desconforto respiratório”, concluiu a enfermeira Evelly Vitoria. 

Michelle, cita algumas das inúmeras vantagens do parto normal ao recém-nascido, “Contato pele a pele, ao nascer o bebê vai direto para colo da mãe, e pode ser amamentado logo após o parto. Há menores chances de problemas respiratórios, pois as contrações da vagina no período expulsivo, fazem com que os bebês expulsem todo líquido retido nos pulmões.  Assim ocorre o fortalecimento do sistema imunológico, pois ao passar pelo canal vaginal, os bebês são expostos as ‘boas bactérias’ da flora vaginal materna. ”

Evelly sempre compartilha informações sobre parto em sua página no Instagram @evellyazevedo.

Evelly Vitoria, aconselhou a mães que estão buscando pelo parto humanizado, “O primeiro passo e mais importante para se ter um parto humanizado é querer, se informar e estudar com base em muita ciência e com apoio familiar. Existe hoje muito mais acesso a esse tipo de conteúdo, através de documentários e profissionais que compartilham boas informações na internet, só é preciso saber filtrar. E mais do que isso, ter profissionais que estejam alinhados com a ciência e humanização da assistência ao parto para estar ao seu lado faz toda a diferença. ” Evelly sempre compartilha informações sobre parto em sua página no Instagram @evellyazevedo. 

Michelle que também usa seu Instragram -@enfobstmichelle -  para ajudar quem busca por informação também deixa um recado, “A chegada do seu bebê ao mundo é um momento inesquecível e carregado de expectativas. Estude se informe. Humanizar o parto é respeitar e criar condições para que o dising original de Deus para o ser humano sejam atendidas: espirituais, psicológicas, biológicas e sociais" finalizou. 

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