(Foto: Victor Falco/Hojemais Três Lagoas)
Motoristas que trafegaram pela BR-262 e pela Marechal Rondon acompanharam nesta semana a passagem de uma das maiores cargas já vistas na região de Três Lagoas.
O chamado balão da caldeira de recuperação, peça considerada uma das maiores do mundo em sua categoria, atravessou o município escoltado e chamou a atenção pelo tamanho e pela complexa operação logística.
O comboio, composto por 37 eixos, transporta um conjunto que ultrapassa 500 toneladas, somando equipamento, estrutura e sistema de transporte.
Travessia pela divisa e Posto Fiscal
A carga, que veio da China, chegou à divisa entre Castilho (SP) e Três Lagoas (MS) nesta quarta-feira (4), passando pelo Posto Fiscal Jupiá antes de ingressar oficialmente em território sul-mato-grossense.
De acordo com informações apuradas pelo Hojemais Três Lagoas, o valor total dos produtos é estimado em R$ 11 milhões. A operação exigiu planejamento detalhado, acompanhamento técnico e apoio das autoridades, devido às dimensões da peça e ao impacto temporário no tráfego.
A passagem mobilizou olhares de curiosos e caminhoneiros, que registraram imagens do transporte nas redes sociais.
Após cruzar o município, o destino final é o site do Projeto Sucuriú, da Arauco, em Inocência (MS), onde está sendo construída uma das maiores fábricas de celulose do mundo.
O que é o balão da caldeira e para que serve
O balão da caldeira de recuperação, tecnicamente conhecido como
steam drum
ou tambor de vapor, é uma das partes mais críticas de uma caldeira aquatubular de grande porte, como as utilizadas na indústria de celulose.
Ele funciona como um reservatório e separador físico entre água e vapor gerados pelo aquecimento da água nos tubos da caldeira. Dentro dessa peça, a mistura sobe e, devido à diferença de densidade, o vapor (mais leve) se separa da água (mais densa), garantindo que apenas vapor seco e de alta qualidade siga para os sistemas que utilizam essa energia, como turbinas ou os processos industriais dentro da fábrica.
Além disso, o balão:
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Armazena e estabiliza pressão e fluxo de vapor, ajudando a manter a operação segura mesmo com variações de demanda;
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Permite o tratamento interno da água, mistura com água de alimentação e drenagem para controle de sólidos;
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Recebe instrumentação de segurança que evita acidentes em condições adversas.
Em operações como as de recuperação de calor e energia da fábrica de celulose, essa peça é muitas vezes considerada o “coração” da circulação de água e vapor, essencial para transformar resíduos do processo produtivo em energia eficiente e sustentável.