A doação de órgãos é um ato de solidariedade, de amor e carinho com o próximo. O gesto é a oportunidade do recomeço para aqueles que aguardam, nas filas de espera, e que convivem, diariamente, com a angústia e com a incerteza em saber se será ou não o novo transplantado.
No Brasil, perante a nossa legislação, não existe nenhum documento ou trâmite legal para realizar a doação; porém, os familiares têm de estar cientes sobre a sua vontade - no caso da doação após a morte, somente membros da família poderão autorizar o procedimento.
Em meio ao sofrimento da perda, permitir à equipe médica que retire partes do corpo como: coração, pulmão e fígado, pode ser uma tarefa difícil. Por isso, é importante que, quem pretende ser doador na morte, informe seu desejo aos familiares.
Para doação ainda em vida o doador deve ter mais de 18 anos de idade, sendo parente de até quarto grau - caso contrário, será preciso uma autorização judicial.
Desafios
Uma pesquisa realizada ainda no ano de 2018 pelo Ministério da Saúde, apontou que Mato Grosso do Sul tem a oitava maior negativa familiar para a captação de órgãos.
De acordo com a pesquisa, de 199 possíveis doadores contabilizados pela Central Estadual de Transplantes, foram realizadas entrevistas com familiares de 133 e, destes, houve a negativa de 76 para a captação dos órgãos; por isso, profissionais da saúde reforçam a conscientização do tema, ainda em vida, no meio familiar.
Filas de espera
No município de Três Lagoas, é realizado apenas o transplante de córneas; o procedimento também é realizado em Dourados e Campo Grande - já o transplante de rim é feito apenas na Capital.
Segundo a Coordenadora da Central de Transplantes do Estado, Claire Miozzo, em todo o Estado são 214 pacientes na fila do transplante, sendo que 79 pessoas estão à espera de um rim e 135 à espera das córneas.
Conheça o três-lagoense recém transplantado
Hoje nós contamos a história do três-lagoense Sérgio Luiz de Oliveira (34), casado a cinco anos e pai do pequeno Sérgio Otávio (03).
Luiz descobriu que iria precisar de um novo rim há cerca de três anos; foi um momento muito difícil e que trouxe diversas mudanças para sua vida e de toda a família.
“Após descobrir que precisaria de um transplante de rim, minha vida mudou radicalmente; eu fiquei restrito e não podia fazer muitas coisas. Fiquei impossibilitado de pegar peso, não podia mais fazer meu trabalho. Sem contar que tive de deixar compromissos pessoais de lado, assim como viagens, pois tinha de fazer diálise três vezes ao dia em casa; depois de um período, passei para a hemodiálise onde ia três vezes na semana, ao hospital, durante quatro horas”.
Todo tratamento de Sérgio foi feito pelo SUS (Sistema Único de Saúde), acompanhado pelo Dr. Renato Ponteli. Inicialmente, o técnico em manutenção tentaria o transplante com o doador vivo, pois os dois irmãos de Sérgio poderiam ser compatíveis.
“Foram dois anos para fazer os procedimentos e exames de compatibilidade; mas, infelizmente, o meu irmão que tinha maiores chances de ser o meu doador não foi aprovado, momento em que recebi a recomendação do meu médico para que eu entrasse na fila de transplante à espera de um rim; enquanto isso, eu iria continuar tentando com o meu outro irmão”.
Para a surpresa de Sérgio, o transplante com um doador falecido veio mais rápido do que ele imaginava; foi apenas 1 mês e 15 dias na fila de espera. Sérgio realizou o procedimento no dia 20 de outubro de 2018, dia esse em que o pai do pequeno Sérgio Otavio renasceu e ganhou uma segunda chance para voltar à vida.
“Eu não esperava fazer o transplante tão rapidamente; na verdade, a médica responsável pelo procedimento disse que, geralmente, o órgão sai em até 1 ano; então, eu simplesmente tive fé” – contou Sérgio emocionado.
Hoje, após três meses da realização do procedimento, ele revela que o maior medo daqueles que estão na fila de espera é o tempo; pois, a incerteza é sempre constante.
O técnico em manutenção finalizou a entrevista com uma mensagem de esperança para aqueles que buscam um segunda chance através do transplante.
“A mensagem que deixo para essas pessoas é que nunca percam a fé; continuem persistindo e nunca desistam, pois tudo é no tempo de Deus e Ele nos ajuda a passar por todas as provas que possam surgir no caminho”.