A retirada dos dormentes e trilhos da linha Férrea Noroeste do Brasil causou um certo reboliço nas redes sociais depois que uma munícipe manifestou a tristeza em saber que o material pertence à União e que, provavelmente, não ficará na cidade.
Kátia Gomes, é professora graduada pela Escola de Belas Artes na Universidade Federal da Bahia e pós-graduada em Ambientes Contemporâneos Espaços e Linguagens pela Unidper. Residindo em Três Lagoas há 10 anos, ela é professora de artes concursada pela rede pública há nove e tem como paixão “transformar em arte o que vai para o lixo”.
“Moro no bairro Santa Rita e um dia desses estava levando meus filhos à escola e vi os tratores trabalhando, retirando os dormentes e alguns deles estavam estragados, queimados e foi aí que pensei que algo poderia ser feito com eles”, disse Katia, mencionando ter ido conversar com o Diretor de Cultura, Rodrigo Fernandes. “Ele me disse que, como professor de história, sente muito ver a história se esvaindo e que a cidade tem interesse sim na utilização desse material”, disse ela.
Kátia enfatizou a importância da valorização da história da cidade. “Daqui a 40 anos, se não cuidarmos, as pessoas não vão saber de onde a cidade veio, quem foi o Camisa de Couro que morreu com um tiro nas costas próximo de onde é a feira noturna. Precisamos valorizar a história da cidade”, reverbera a professora, sugerindo que os trilhos e dormentes sejam transformados em esculturas, num obelisco ou memorial para assegurar que o “caminho não tenha sido em vão e não se perca”.
Outra sugestão dada por Kátia, seria colocar parte desse material em uma sala museu, onde fiquem expostos à população e com placas contando algumas curiosidades sobre a NOB. “Existem muitas cidades que conseguiram fazer isso. Que conseguiram tombar esses locais como patrimônio histórico e que hoje têm isso preservado”, disse.
Em contato com a Prefeitura de Três Lagoas, o Hojemais questionou se existe interesse da municipalidade além do local. Em resposta, a Prefeitura disse que o material pertence à União e que ele está sendo retirado pela empresa Rumo Logística. “Os trilhos pertencem à União e, por isso, estão sendo levados para o pátio da RUMO. No entanto, o município tem interesse na área, pois quer requalifica-la, tentando resgatar a história da Cidade. Porém, as negociações para cessão do uso vêm sendo conduzidas pelo próprio gabinete do prefeito em reuniões com o patrimônio da união. Porém, há de ressaltar que essas negociações são complexas e, consequentemente, demoradas”, informou a Assessoria da Administração.