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Sebastião ergueu um barracão próprio para guardar os bens penhorados da Comarca

Foram seis anos na função até a estrutura organizacional do Tribunal mudar e o servidor voltar a trabalhar apenas como avaliador e depositário de bens, ofício inclusive que Sebastião sempre exerceu com muito apreço

Da Redação
12/10/22 às 14h31

Quando o Tribunal de Justiça de Mato Grosso decidiu, nos idos de 1971, instalar a comarca de Glória de Dourados, Sebastião Ferreira de Araújo já tinha 33 anos e trabalhava como servente de pedreiro na cidade. Ele ouviu sobre o concurso em um carro de som e foi direto fazer a inscrição. Como era preciso ter o ensino primário completo (o que Sebastião não possuía), ele saiu dali e já rumou para uma escola matricular-se no curso de admissão ao ginásio. O concurso demorou um ano para ocorrer, tempo suficiente para que Sebastião se formasse, estudasse e fosse aprovado para assumir o cargo de porteiro dos auditórios do Fórum, com função adicional de depositário de bens e avaliador judicial.

“Eu continuei a estudar mesmo depois de entrar no concurso. Uns três anos depois, houve uma vaga no cartório distribuidor. A menina que era do distribuidor foi para outra cidade e o Juiz na época, o Dr. Nildo de Carvalho, falou para mim que precisava de alguém que assumisse o cartório e me enxergava para ocupar o lugar. Eu falei para o juiz que não sabia nem mexer em processo, mas ele disse que ninguém nascia sabendo nada. Mandou eu pegar uma caneta e papel, sentar do lado da menina que ia sair e aprender tudo que eu pudesse. Foi assim que eu passei a ser distribuidor, contador e partidor”, conta Sebastião.

Foram seis anos na função até a estrutura organizacional do Tribunal mudar e o servidor voltar a trabalhar apenas como avaliador e depositário de bens, ofício inclusive que Sebastião sempre exerceu com muito apreço. “Naquela época os bens penhorados não ficavam com o próprio devedor e o fórum não tinha um lugar seguro para deixar as coisas. Elas ficavam comigo mesmo. Então, com muito sacrifício, eu comprei um terreno ao lado da minha casa, construí um barracão de madeira e comecei a deixar ali todos os bens de penhora confiados a mim. Usei esse barracão até me aposentar. Só um pouco antes disso que eu procurei a Prefeitura e consegui um lugar para deixar tudo que ainda estava comigo. Fiz uma relação desses bens para o juiz da época e só então me aposentei”.

A aposentadoria foi em 1995 quando já estava perto dos 60 anos e “na fase de aparecerem alguns incômodos e doenças da idade”, como afirma o próprio Sebastião. Justamente por isso ele decidiu vender todos os seus bens em Glória de Dourados e mudar-se com a esposa para Campo Grande.

“Eu vim do Nordeste para Glória de Dourados com apenas 20 anos. Aos 21 já casei e fiz a minha vida inteira aqui no Estado. Tive cinco filhos. O mais novo mora em Dourados e tem 55 anos, já o mais velho tem 62 anos, calcula!”, conta rindo. “Sou muito grato ao Tribunal de Justiça porque foi o meu trabalho que proporcionou tudo isso. Hoje tenho 84 anos e moro com uma filha. Minha mulher faleceu já tem 12 anos. Faço hidroginástica quatro vezes na semana e também fazia pilates antes. De vez em quando vou no baile do Vovó Ziza dar uma dançadinha. Estou aproveitando a vida”.

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