Com a alta nos preços de carros novos, seminovos e usados no Brasil, o imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) deverá ficar mais caro em 2022. O aumento é esperado porque o tributo é calculado com base no preço dos veículos medidos pela tabela da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
Os valores para o ano que vem ainda não foram divulgados pela Secretaria de Fazenda, o que deve ser feito somente em dezembro. Porém, segundo a Fipe, entre fevereiro de 2020 e julho de 2021 os preços de automóveis zero-quilômetro subiram 19,9%. Considerando apenas exemplares usados, independentemente do ano/modelo, a alta foi ainda mais expressiva no mesmo período: 24,4%.
Gustavo Simões que é proprietário de loja de automóveis, a Absoluta, explica o porquê deste aumento, “Os aumentos têm ocorrido principalmente pela paralisação na produção de veículos por falta de componentes eletrônicos que tiveram um aumento de preço devido à pandemia. A falta de carros zero-quilômetro tem levado compradores a buscarem exemplares de segunda mão”.
Entre os vilões do alto custo para as montadoras estão os dispositivos importados que, com a pandemia, tiveram a produção reduzida, principalmente, os semicondutores — chips ou cristais de silício, usados em circuitos eletrônicos —, com alta de 45%, no acumulado em 12 meses até julho. Os altos preços de carros novos também foram influenciados por outros produtos, como resinas e elastômeros, com avanço, no mesmo período, de 109,8%, siderurgia (de 84,5%, principalmente o aço), plástico (de 43,3%) e borracha (de 16,9%). Assim, comprar um automóvel novo, hoje, está bem mais difícil para a classe média.
O último resultado da Anfavea aponta que os utilitários leves — os SUVs, de porte avantajado e interior espaçoso — são responsáveis por 40% dos emplacamentos. As revistas especializadas os chamam de um veículo que está “entre o carro e o caminhão” — tem modelos entre R$ 70 mil e R$ 160 mil.
Victor Dias, engenheiro de produção, afirma que o carro próprio é sinônimo de melhoria na qualidade de vida, porém com a alta dos preços o sonho terá que esperar. “Pensei que conseguiria dar uma entrada com um dinheiro que tinha guardado e pagar as parcelas com o meu salário. Quando fui atrás, vi que, mesmo parcelado em muitas vezes, o valor ficava muito alto, então, desisti e achei melhor comprar minha casa própria”.
A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) também comemora. Com o expressivo volume de 1,439 milhão de unidades comercializadas em agosto, as vendas de usados chegaram a 10,234 milhões de unidades, no acumulado do ano, um crescimento de 48,2% sobre igual período de 2020 — automóveis, comerciais leves, pesados e motocicletas, de acordo com a entidade.
“A baixa disponibilidade de veículos novos segue como o grande desafio do setor da distribuição automotiva, e a oferta de usados surge como alternativa para suprir esse mercado”, avalia Gustavo.
Desde 2004, início da série histórica, nunca o setor havia superado a barreira de seis veículos leves usados vendidos a cada novo emplacado em um mês.
