O município de Três Lagoas é o campeão em crimes de trânsito.
Está à frente de Campo Grande, a Capital do Estado, com um número três vezes maior no que se refere às denúncias e possui o dobro das denúncias ocorridas em todo o Estado.
É o que informou ao Hojemais o promotor de Justiça - Luciano Lara - da 8ª Promotoria de Justiça que, para mudar esta realidade, lançou o projeto “Sua Pressa Não Vale Minha Vida” - que foi encampado pelo MPE-MS.
Este projeto, segundo o promotor, visa a educação continuada do trânsito, para diminuir as infrações e os crimes. A ideia do projeto é fomentar a responsabilidade de todos os atores do trânsito: pedestres, ciclistas, condutores, fiscais de trânsito, policias militares, policiais rodoviários federais, envolvendo todos na educação do transito e na diminuição destes números.
De acordo com o promotor, há uma média de 15 denúncias de crimes de trânsito a cada dez mil habitantes. Os acidentes, segundo ele, ocorrem em retas, durante o dia e em vias pavimentadas - o que mostram a imprudência e desrespeito às leis de trânsito por parte dos condutores.
O promotor afirma que pesquisa da PRF/IPEA aponta que R$ 40 bilhões são gastos com acidentes nas estradas, por ano e, R$ 10 bilhões nas vias urbanas. Além disso, informa que ocorrem 45 mil mortes no trânsito em todo o Brasil.
“Esses números são assustadores e não podemos aceitar e ficar calmos - não nos considerando responsáveis” - pondera, completando que 99% dos acidentes são evitáveis, se os motoristas tivessem mais cautela e assumissem a responsabilidade que têm no trânsito.
O projeto será desenvolvido por meio de palestras, chamando a atenção da população nas escolas, nos sindicatos e nas empresas “para mudar essa realidade que estamos vivendo, numa cidade plana, com avenidas largas, cruzadas por ciclovias e ciclofaixas”.
Num segundo momento, haverá blitze educativas, nos locais de maiores ocorrências e, com isso, estimular também as políticas públicas.
A ideia é criar a Cidade do Trânsito, mantendo um local onde haverá educação continuada para todas as escolas públicas e particulares, em que as crianças terão de passar por cursos de formação, se tornando fiscais mirins de trânsito com curso de um ano a um ano e meio, continuadamente, sendo inseridas a esta realidade.
Quer estimular também, como política pública, uma área específica para a realização de aulas e exames de autoescola.
Nesse meio tempo, diz que está pontuando os dados para estimular a fiscalização, colocando para trabalhar num local mais adequado, de forma mais efetiva, trazendo maior responsabilidade e responsabilização dos envolvidos.
Ele afirma que, em regra, o que se percebe é o estabelecimento de obstáculos (quebra-molas), o que não estaria surtido muito efeito.
“Nós temos uma série de obstáculos naturais, como vias irregulares e os quebras estão sendo de forma a não cumprir a legislação federal” - alerta. Por fim, diz que o projeto é fazer com que Três Lagoas se torne a cidade de trânsito mais educado de Mato Grosso do Sul.
Maioria dos acidentes é provocada por homens
Mais que o dobro dos acidentes de trânsito ocorridos em Três Lagoas é provocado por condutores do sexo masculino. É o que aponta planilha estatística de ocorrências de trânsito do Pelotão de Trânsito do 2º Batalhão de Polícia Militar.
No ano passado, o pelotão registrou 1.815 acidentes, sendo 1.173 envolvendo homens e 642 foram provocados por mulheres ao volante. No que se refere às vítimas do trânsito, 334 são mulheres e 415, homens.
Sobre o tipo de veículos envolvidos nos acidentes, os carros e as motocicletas estão praticamente empatados. Em 2017, 875 automóveis se envolveram em acidentes, enquanto que 609 acidentes tiveram a participação de motocicletas. Em terceiro lugar vêm as camionetas (183), seguidas de bicicletas (112) e caminhões (50).
Em 2018, o mesmo percentual, com 195 acidentes de carro, 167 com motos e 50 envolvendo camionetes.
Neste ano, de janeiro até a metade do mês de abril, já foram registados 253 acidentes de trânsito em Três Lagoas, sendo 177 com vítima não fatal; 73 sem vítimas e três com vítima fatal. No ano passado, no primeiro quadrimestre, foram registrados 292 acidentes.
*Colaboração Aurora Villalba