Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desenvolveu uma potente vacina contra a dependência química em cocaína que também pode ser estendida a indivíduos viciados em crack.
Em agosto desse ano, a vacina anticocaína da UFMG entrou pra submissão de testes da Agência Nacional de Vigilâcia Sanitária (Anvisa) e a ideia é que os experimentos em humanos sejam feitos até o primeiro semestre do ano que vem. Segundo os pesquisadores, a vacina teria capacidade de coibir igualmente o crack, sendo uma alternativa conjunta para o tratamento da dependência química.
A droga sintetizada chega para enfrentar o enorme número de pessoas que consomem cocaína em nosso país, sobretudo nas capitais, como Belo Horizonte.
Pesquisas indicam a existência de 2 milhões de usuários (em torno de 1,75% da população adulta brasileira) – 29 mil só na capital mineira.
Para comparação, de acordo com o Escritório de Drogas e Crimes da Organização das Nações Unidas (ONU), a média mundial de adultos viciados é de 0,4% – cerca de 19 milhões de indivíduos.
A vacina estimula a produção de anticorpos contra a cocaína através de uma molécula que age no sistema imunológico.
Os anticorpos capturam a substância química antes dela chegar ao cérebro. No caminho, modificam sua forma e reduzem os efeitos, como a sensação de euforia que vem com a liberação da dopamina, responsável pelo prazer. Sem isso, a vontade de consumir a droga diminui consideravelmente.