Para muitos, o dia 17 de novembro é apenas mais uma data dentro do nosso calendário anual; mas, o que pouco se sabe é que o dia também é marcado sendo o Dia Mundial da Prematuridade - problema que, segundo o Instituto Nacional de Saúde da Mulher da Criança e do Adolescente atinge cerca de 15 milhões de crianças, todos os anos, ao redor do mundo.
A prematuridade, além de contribuir para o não desenvolvimento sadio do bebê, pode também, em alguns casos, trazer o risco de morte e sequelas futuras durante a vida adulta do recém-nascido.
Alguns problemas durante a gestação contribuem para o nascimento antes do tempo previsto. Foi o que aconteceu com a mãe dos gêmeos - Vitor Lacerda Mendieta e Igor Lacerda Mendieta.
Milene Aparecida Siqueira Lacerda conta que passou por uma gestação muito tensa, devido a uma síndrome chamada “Transfusão Feto Fetal” - onde um dos bebês se desenvolve mais do que o outro, podendo levar, a óbito, aquele que menos se desenvolve. A síndrome se dá em gêmeos da mesma placenta - que era o caso de Vitor e Igor - contribuindo para o nascimento prematuro dos bebês.
Milene passava por uma gestação de alto risco e tudo indicava que um deles viria a óbito - conforme informado pelos médicos que acompanhavam a gestação - já deixando a mãe preparada.
Diferente do laudo dos médicos, as crianças nasceram sadias - apesar de todas as complicações. Igor era o bebê menos desenvolvido, nascendo com 870 gramas; Vitor nasceu com 1kg400g.
As crianças foram encaminhadas para a UTI - Unidade Intensiva de Tratamento - onde ficaram 72 dias internados.
“O pessoal do hospital tinha medo de pegar; ninguém dava nada” – disse a mãe.
Devido à prematuridade, os gêmeos tiveram intercorrências e infecções - além de passarem por uma cirurgia nos olhos, voltando para a UTI.
Durante o período no Hospital a mãe seguia uma rotina corrida e dividida já que, de início, os gêmeos ficaram separados - um deles na Santa Casa e o outro no Hospital Regional de Campo Grande.
Já em Três Lagoas, as crianças recebem todo acompanhamento e apoio.
“A ambulância vinha buscar toda terça e quinta para passarem pela ‘fono’ e pela ‘fisio’ - e hoje, graças a Deus, estão bem” – afirmou Milene.
A mãe conta que tudo era feito com muito cuidado, devido ao fato de a resistência imunológica ser muito baixa ainda nos primeiros meses.
“Quando eu voltei para casa eu era chata; não deixava ninguém pegar; eu sempre lavava as mãos... Dentro da UTI eu fui muito bem treinada; tive todo um cuidado com a alimentação... O cuidado com o bebê prematuro - até pegar certa resistência - é extremo; de início, evitava até mesmo as aglomerações” - conta a mãe.
Milene disse que o nascimento dos gêmeos foi um milagre, pois toda a gravidez foi muito complicada - afirmando que ser mãe de prematuro é viver pela fé, pois Igor e Vitor foram muito fortes.
“Eu contemplei um milagre... Hoje são saudáveis e estão aí... Eu não sei nem descrever o que é ser mãe de prematuro; pois, somos escolhidas - é uma situação que não é fácil” – acrescentou Milene.
A mãe dos gêmeos, muito emocionada, finalizou dizendo que o dia 17 é marcado por uma conquista e uma vitória em ver seus filhos bem - já que se recuperaram de uma forma que ninguém imaginava - nem mesmo os médicos.