Três Lagoas foi um dos destaques da edição 2026 do mutirão Meu Pai Tem Nome , promovido pela Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul , com 36 atendimentos voltados ao reconhecimento de vínculos familiares. No Estado, a iniciativa contabilizou 167 atendimentos , sendo 86 em Campo Grande , 45 em Dourados e os demais no município, além de atendimentos remotos para moradores de outras comarcas.
Coordenada pelo Núcleo de Família e Sucessões (Nufam) , a ação possibilitou o reconhecimento de paternidade biológica e socioafetiva , garantindo que relações construídas pelo afeto também passem a ter validade jurídica e constem oficialmente nos documentos.
Segundo o coordenador do Nufam, o defensor público Marcelo Marinho , o programa assegura um direito fundamental às famílias.
"O Meu Pai Tem Nome garante o direito ao reconhecimento da filiação, seja biológica ou socioafetiva. Em muitos casos, o afeto já faz parte da história da família há anos. A atuação da Defensoria permite que esse vínculo também tenha reconhecimento jurídico, assegurando direitos e fortalecendo a identidade de quem participa da ação", destacou.
Entre as histórias marcantes está a de Edemilson Urtado , de 54 anos, e Gabriela Amablin Valentim , de 28. Há 11 anos, Edemilson passou a integrar a família ao se casar com a mãe de Gabriela. Com o tempo, a relação entre padrasto e enteada transformou-se em um verdadeiro vínculo de pai e filha.
Foi a própria Gabriela quem apresentou a mãe ao futuro marido. Desde então, Edemilson participou ativamente de sua criação, tornando-se uma referência paterna. O desejo de oficializar essa relação existia havia anos e se concretizou por meio do mutirão.
" Ele sempre foi um pai para mim. Agora esse vínculo também passa a existir nos documentos ", afirmou Gabriela.
Outra história emocionante foi registrada em Campo Grande . Kalinka Reis Araújo , de 42 anos, conseguiu realizar um sonho aguardado por quatro décadas: o reconhecimento oficial do pai socioafetivo.
Quando tinha pouco mais de um ano de idade, sua mãe, Kátia Selene Araújo Ferreira , conheceu Elstil Wagner Ferreira , que assumiu sua criação como filha. Apesar do vínculo consolidado ao longo dos anos, o registro nunca havia sido formalizado.
Foi o próprio Elstil quem descobriu o mutirão e incentivou a família a participar da iniciativa.
" É um sonho de 40 anos que agora conseguimos realizar ", comemorou Kátia.
O programa Meu Pai Tem Nome é uma iniciativa nacional do Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege) e tem como objetivo garantir o direito ao reconhecimento da filiação, fortalecendo a cidadania, a identidade e a segurança jurídica das famílias brasileiras.
