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Brasil completa 10 anos sem raiva humana por cães

Campanha de vacinação antirrábica reforça prevenção em áreas de fronteira, incluindo Mato Grosso do Sul

Thais Constantino  - Hojemais Três Lagoas 
24/08/26 às 11h35
Brasil completa 10 anos sem raiva humana por cães (Foto: Reprodução)

O Brasil chega a 2026 com uma marca importante na prevenção da raiva humana: são dez anos sem registros de casos provocados pelas variantes de cães AgV1 e AgV2. Para ampliar as medidas de prevenção e controle da doença, principalmente nas regiões de fronteira, o Ministério da Saúde promove neste sábado (22) a abertura simultânea da Campanha de Vacinação Antirrábica Canina e Felina na Fronteira.

A mobilização ocorre no Acre, em Rondônia, no Mato Grosso do Sul e na Bolívia, com a participação de representantes do Brasil, da Bolívia e do Peru.

Como parte do apoio à campanha, o Ministério da Saúde distribuiu vacinas antirrábicas destinadas a cães e gatos, além de materiais necessários para as ações de imunização nos três municípios brasileiros envolvidos. A iniciativa também conta com apoio às atividades realizadas na Bolívia e no Peru.

Entre os equipamentos disponibilizados estão caixas térmicas, termômetros, cambões, cordas e focinheiras. Os materiais contribuem tanto para a conservação adequada das vacinas quanto para a segurança dos profissionais envolvidos e dos animais durante a vacinação.

“Essa ação fortalece a vigilância integrada da raiva e a vacinação de cães e gatos em regiões de fronteira, onde a circulação de pessoas e animais entre diferentes países exige ações coordenadas de prevenção e controle”, explica o diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis (DEDT), Francisco Edilson Ferreira.

Vírus da raiva continua circulando

Embora o Brasil esteja há uma década sem registrar casos de raiva humana transmitidos pelas variantes caninas, o vírus permanece circulando entre animais silvestres. Os principais envolvidos são morcegos, primatas e raposas.

Esse cenário reforça a necessidade de manter a vacinação de cães e gatos em dia, realizar a vigilância de animais que apresentem suspeita da doença e buscar atendimento de saúde rapidamente após qualquer situação considerada de risco.

Entre 2016 e 2026, o Brasil confirmou 37 casos de raiva humana, todos relacionados a variantes silvestres do vírus. Os morcegos estiveram envolvidos em 22 ocorrências. Também foram registrados casos associados a primatas (7), felinos infectados com variante de morcego (4), raposas (2), um cão infectado com variante de morcego (1) e um bovino infectado com variante de morcego (1).

Tratamento contra a raiva pelo SUS

A raiva é uma doença viral grave e apresenta alta taxa de letalidade após o início dos sintomas. Por isso, pessoas que sofrerem mordidas, arranhões ou qualquer contato de risco com a saliva de mamíferos devem procurar imediatamente um serviço de saúde, mesmo quando o ferimento aparentar ser pequeno.

Depois da avaliação, o profissional de saúde definirá a necessidade de iniciar a profilaxia antirrábica. O procedimento pode envolver a aplicação de vacina e soro ou imunoglobulina.

A recomendação também é evitar o contato com morcegos e outros animais silvestres encontrados mortos ou que apresentem comportamento incomum. A profilaxia antirrábica humana é oferecida gratuitamente pelo SUS.

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