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Do campinho à taça: a história de superação do Metodista

Time de Três Lagoas nasceu em um bate-bola despretensioso ao lado da Igreja Metodista, enfrentou a falta de apoio, ganhou organização, revelou talentos e conquistou em 2026 o tão sonhado título do Campeonato Varzeano Municipal.

Edgard Júnior - Hojemais Três Lagoas
10/09/26 às 17h57
Fotografia: arquivo pessoal

Há histórias no futebol que começam com grandes investimentos, estruturas profissionais e jogadores consagrados.

E há aquelas que começam de maneira muito mais simples: com amigos, uma bola e a vontade de jogar.

Em Três Lagoas , a história do Metodista Futebol Clube pertence à segunda categoria.

O que nasceu em 2019 como um simples bate-bola aos domingos, em um campinho ao lado da Igreja Metodista, no bairro Vila Haro, transformou-se, ao longo dos anos, em uma equipe organizada, competitiva e, finalmente, campeã.

A trajetória começou quando William e Richard, o Richinha , decidiram reunir alguns amigos para disputar amistosos aos domingos. A chegada do goleiro Marcos, o Paredão , fez o projeto ganhar novos contornos e, pouco a pouco, aquele encontro entre amigos começou a ser levado mais a sério.

Primeiro veio o nome Unidos da Vila . Depois, em uma homenagem ao local onde tudo começou, surgiu o União Metodista .

Mas o caminho até o título esteve longe de ser fácil.

Quando ninguém acreditava, eles continuaram

Durante os primeiros anos, o time não contava com apoio ou patrocínio. Uniformes, inscrições em campeonatos e demais despesas eram bancados pelos próprios integrantes.

Segundo a diretoria, foram muitos “nãos” recebidos na tentativa de conseguir apoio, inclusive de pessoas ligadas à política. Mas desistir nunca esteve nos planos.

Foi então que surgiu uma mudança importante na forma de pensar o projeto.

Os integrantes decidiram que era hora de agir como um time profissional , mesmo mantendo a essência de um grupo de amigos. Pessoas parceiras foram convidadas a investir na equipe e passaram a integrar a diretoria.

Hoje, o Metodista possui uma diretoria formada por oito investidores , sem a figura de um presidente. Fazem parte dela William, Marcos, Guiliu, Fábio (Fabinho), Juan, Lucas Fernando, Breno e Maycon .

Mais do que dirigentes, são pessoas que acreditaram no projeto e ajudaram a transformar um simples bate-bola em uma equipe estruturada.

O caminho até o título

A evolução começou a aparecer dentro de campo.

Em 2024 , o Metodista chegou à condição de vice-campeão da Copa Osmar Dutra . No ano seguinte, em 2025 , terminou a competição na terceira colocação e também conquistou o terceiro lugar do Campeonato Varzeano Municipal .

Os resultados mostravam que o título estava cada vez mais próximo.

Para 2026, justamente no ano em que o projeto completaria sete anos de fundação , a diretoria decidiu estabelecer uma meta clara: ser campeã do Campeonato Varzeano Municipal .

Para isso, reuniu jogadores experientes e jovens talentos. A ideia era formar um grupo competitivo, mas, principalmente, unido.

E foi justamente essa união que fez a diferença.

Cada partida passou a ser encarada como uma final. Dentro do elenco, não havia espaço para vaidade. Os jogadores mais experientes orientavam os mais jovens, enquanto a nova geração respondia dentro de campo com talento e personalidade.

A força de uma nova geração

Um dos exemplos mais marcantes dessa união foi protagonizado pelos goleiros.

Marcos, o Paredão , era o titular da equipe, mas, durante a competição, precisou se ausentar de algumas partidas por motivos profissionais.

Foi então que surgiu a oportunidade para Luiz Felipe, o Lipe , de apenas 17 anos .

O jovem agarrou a oportunidade — literalmente.

Com defesas difíceis e boas atuações, Luiz Felipe tornou-se um dos destaques da campanha e ajudou diretamente a equipe na conquista do título.

A história do goleiro traduz um dos principais valores que o Metodista buscou construir ao longo da competição: experiência e juventude caminhando lado a lado .

Uma final para ficar na memória

Na decisão do Campeonato Varzeano Municipal 2026 , o Metodista teve pela frente uma das equipes mais fortes da competição: o Santa Terezinha .

O adversário chegava à decisão pelo quarto ano consecutivo e carregava dois títulos conquistados nesse período.

Era uma final que exigia concentração, experiência e, acima de tudo, confiança.

E o Metodista entrou em campo acreditando que aquele seria o dia de realizar um sonho construído durante sete anos.

Depois de uma campanha marcada por união, entrega e superação, veio a conquista.

O Metodista tornou-se campeão do Campeonato Varzeano Municipal de 2026.

Um título que representa muito mais do que uma taça.

Representa os domingos de 2019, os primeiros amistosos, os uniformes pagos pelos próprios jogadores, as inscrições, os “nãos” recebidos, os amigos que acreditaram, os investidores que abraçaram o projeto e todos aqueles que nunca deixaram a equipe desistir.

Um time que também é família

Fora das quatro linhas, existe outro componente fundamental nessa história: a torcida.

Familiares e amigos acompanharam a caminhada do Metodista e se transformaram em uma espécie de décimo segundo jogador.

A cada partida, a presença e o incentivo de quem está nas arquibancadas ajudam a alimentar o sonho de quem está dentro de campo.

Porque, no fim das contas, o Metodista não é apenas um time de futebol.

É uma história construída por amizade, parceria, confiança e pertencimento .

E o sonho continua em 2027

Quem pensa que o título encerra a história está enganado.

A diretoria já olha para o futuro.

O objetivo para 2027 é disputar o Campeonato Amador de Três Lagoas , competição promovida pela Sejuvel , considerada mais difícil e de nível técnico elevado.

A equipe já começa a sondar novos atletas para reforçar o elenco e enfrentar adversários que contam com maior poder econômico e que costumam trazer jogadores de outros municípios e também do Estado de São Paulo.

Mas, se existe algo que o Metodista aprendeu desde 2019, é que dinheiro e estrutura podem ajudar, mas não substituem união, comprometimento e vontade de vencer .

Atualmente, o time mantém seu campo na Praça do bairro Vila Haro , atrás do supermercado Big Mart, onde os tradicionais bate-bolas acontecem aos sábados, a partir das 15h.

É ali que a história continua.

Talvez entre os jogadores que hoje participam desses encontros esteja o próximo talento que, assim como Luiz Felipe, terá sua oportunidade.

E talvez seja justamente essa a maior vitória do Metodista: provar que grandes histórias podem começar pequenas.

Em 2019, eram apenas William, Richinha, alguns amigos e uma bola .

Em 2026, são campeões .

E a bola continua rolando.

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