“Saiu tanto sangue do meu pescoço que eu achei que iria morrer”. Esse é o relato de mais uma vítima das linhas cortantes utilizadas ao soltar pipas - cerol e chilenas — em Campo Grande, prática bastante perigosa utilizada - na maioria das vezes — por adultos durante o período da quarentena enquanto dura a pandemia do novo coronavírus.
Dados da Guarda Civil Metropolitana (GCM) apontam que em todo o mês de maio, foram flagradas 1.590 pessoas nas sete regiões da cidade, soltando pipa com linhas de cerol e linhas chilenas, a maioria adultas.
Das pessoas flagradas, quatro foram encaminhadas a delegacia de polícia por se negar a entregar o material proibido. Durante o mesmo período, a Guarda Municipal apreendeu 713 linhas chilenas e pipas, que serão incineradas para não voltar às ruas.
A vítima dessa vez foi a educadora Edileize Ferreira Fragato, de 33 anos. Ela foi vítima das linhas cortantes no último dia 26 de abril, no bairro Aero Rancho, região do Anhanduizinho, uma das regiões com maior índice de pessoas na prática perigosa (47%), segundo a Guarda Municipal.
Ao Correio do Estado ela contou que viveu momentos de pavor durante o ‘acidente’ enquanto pilotava sua motocicleta na Avenida Gunter Hans por volta das 17h. “Eu não sei de onde veio, só senti algo leve próximo do meu pescoço e quando coloquei a mão, vi um monte de sangue, fiquei desesperada”, contou.
Sem saber como agir, Edileize contou que apenas seguiu o instinto de sobrevivência e continuou pilotando até o hospital mais próximo e foi atendida com urgência, mas por sorte, teve apenas um corte superficial. A proteção do capacete que ela utilizava no pescoço foi cortada ao meio devido à força da linha. “A gente fica revoltada, não é uma brincadeira, é algo que acaba com a vida das pessoas, é uma cicatriz que vai ficar para sempre, mas graça a Deus foi só um susto”, disse.