Feminicídio, assédio sexual, estupro, violência psicológica e física. No Dia Internacional da Mulher dados sobre crimes, principalmente motivados pela condição de gênero, mostram que muita coisa ainda precisa avançar. O ano de 2017 fechou com 27 feminicídios, 1.473 estupros e 18.475 violência doméstica no Estado.
De janeiro até agora, por exemplo, seis mulheres já foram vítimas de feminicídio, dois casos a mais que o registrado no mesmo período do ano passado, de acordo com a Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública).
Também já foram registrados 164 estupros, 2.899 crimes de violência domésticas e sete casos de assédio sexual - crime previsto desde 2001 no Código Penal. Outro dado alarmante, segundo o 11º Anuário Brasileiro de Segurança Pública publicado em 2017, é o crime de estupro. Mato Grosso do Sul liderou o ranking dos Estados com a maior taxa percentual, totalizando 54,4 estupros para cada 100 mil habitantes.
Para a promotora de Justiça Ana Lara Camargo, esses dados refletem tanto problema de ordem pública quanto um problema sociocultural de machismo, de desigualdade nas relações de poder entre homens e mulheres, a formação sociocultural se refere à cultura do estupro, uma certa aceitação na culpabilização da vítima.
O descaso do Poder Público, segundo a promotora, também contribui: a questão da iluminação pública, da precariedade do transporte público, da dificuldade de identificação desses autores, a questão da fragilidade da prova pericial, da falta de recursos e investimentos da prova pericial, além da questão de falta de capacitação dos agentes que trabalham com isso.