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Estudantes dizem estar com medo de ir para a faculdade

O serviço de inteligência está investigando os casos de importunação sexual registrados no município e o policiamento na região foi intensificado para garantir a segurança

Ana Carolina Kozara - Hojemais Três Lagoas
02/03/19 às 13h30
Major Ênio comandante da PM (Foto: Albecyr Pedro)

Os crimes recentes de importunação sexual registrados em Três Lagoas, deixou as mulheres em estado de alerta, muitas evitam sair desacompanhadas de casa, é o caso de algumas estudantes do período noturno, que se dizem com medo de ir e voltar da faculdade pois precisar passar a pé por locais ermos, escuros onde constantemente casos de assedio acontecem com as universitárias.

Maria tem 21 anos e estuda direito na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), estuda no período noturno e vai caminhando para a faculdade, ela conta que o percurso é sempre um desafio e em alguns trechos é obrigada a andar na faixa de ciclistas, no meio da pista por medo de ser assediada na calçada ao lado de um posto de combustível desativado na Avenida Ranulpho Marques Leal, local muito escuro e fácil de uma pessoa se esconder.

A estudante de jornalismo, Patrícia, mora sozinha em Três Lagoas, veio de Brasilândia para estudar e procurou morar em uma casa nas proximidades da faculdade, para facilitar o acesso e evitar atrasos.

A universitária disse que está reconsiderando a decisão, pois não se sente mais segura e mesmo com as ruas movimentadas, ainda existem homens que assediam, muitos dão cantadas chulas e alguns já chegaram a perseguir a jovem.

Patrícia disse que as jovens têm medo de revidar e que já ouviu diversos relatos semelhantes de outras estudantes. A universitária procura o socorro de amigos que lhe acompanham no trajeto.

Marcela, de 21 anos, já pensou em desistir do sonho de ser uma advogada, a jovem conta que recentemente foi perseguida por um caminhoneiro que a viu caminhando sozinha, “mexeu” com a moça e quando ela o ignorou o motorista passou a cercar a estudante que pediu socorro a duas jovens que passavam pelo local e a acompanharam até sua casa. Marcela disse que quando o caso aconteceu, a rua estava movimentada e mesmo assim o assediador não se intimidou.

A futura advogada afirmou que os riscos independem do horário, que já houve casos de meninas intimidadas também no período matutino. Marcela ainda disse que mesmo com o calor, as meninas evitam de usar shorts, saias e vestidos, pois sabem que serão ainda mais assediadas.

De acordo com o Major Ênio de Souza, comandante do 2º Batalhão de Polícia Militar, o serviço de inteligência está investigando os casos de importunação sexual registrados no município e o policiamento na região foi intensificado para garantir a segurança de todo o cidadão.

*OS NOMES UTILIZADOS NA REPORTAGEM SÃO FICTICIOS PARA PRESERVAR A IDENTIDADE DOS ENTREVISTADO

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