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Mais de 400 mulheres pedem medidas protetivas em TL

Romper o silêncio tem sido fundamental para dar visibilidade a um tema considerado tabu, já que, culturalmente, os casos eram acobertados pela ideia equivocada de que em briga de marido e mulher ninguém deveria meter a colher.

Aurora Vilalba - Hojemais Três Lagoas
21/09/19 às 08h19

Romper o silêncio tem sido fundamental para dar visibilidade a um tema considerado tabu, já que, culturalmente, os casos eram acobertados pela ideia equivocada de que em briga de marido e mulher ninguém deveria meter a colher.

Colocar fim a uma rotina de abusos imposta por maridos, companheiros ou familiares exige não só o enfrentamento do medo, mas a superação da vergonha de expor a própria dor.

Hoje, no entanto, o entendimento é outro. Quando um homem violenta uma mulher psicologicamente, sexualmente e fisicamente, toda a sociedade precisa se mobilizar. Esta mudança também já acontece no município de Três Lagoas que em 2017 foi a cidade que mais registrou casos de feminicídio no MS, e proporcionalmente no país.

De 1º de janeiro a 1º de agosto deste ano foram distribuídos na 2ª e 3ª Varas Criminais no município de Três Lagoas mais 400 pedidos referentes a Medidas Protetivas. Para sermos mais exatos: 409 pedidos.

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Isto significa que em Três Lagoas a cada dia aproximadamente 2 solicitações desta natureza são protocoladas relativas a violência doméstica e mensalmente, cerca de 51 mulheres ingressam com os respectivos pedidos de medidas protetivas, destes 98% são deferidas pelos juízes, ou seja: 401 mulheres no município foram beneficiadas com este recursos previsto a lei Maria da Penha. 

As medidas protetivas, consistem no afastamento do agressor do lar, impossibilidade de chegar perto da vítima, de manter contato telefônico ou qualquer meio de comunicação, e este benefício tem salvado segundo estudos

Foram 13 assassinatos de mulheres no município pelo simples fato se serem mulheres cometidos pelos seus e -maridos, companheiros, namorados e até por um genro no período de janeiro a agosto de 2017, e o município de Três Lagoas de maneira vergonhosa liderou este ranking negativo neste período.  

Com objetivo de contrapor estes índices diversas ações, dentre quais, campanhas juntos aos meios de comunicação local foram desenvolvidas pelas forças policiais (polícia civil e polícia militar), judiciário, Ministério Público, além ainda de diversas entidades e pessoas da comunidade no sentido de conscientizar as vítimas que rompessem o silêncio e registrassem o boletim de ocorrência.

No ano seguinte, estes números foram reduzidos em mais de 50%, e em 2019, até o momento nenhuma mulher foi assassinada em Três Lagoas. Apesar destes dados serem relevantes, a violência doméstica ainda é praticada na cidade e é crescente, o que aumentou foram as denúncias contra os agressores que estão sendo tratados em Três Lagoas com todo o rigor que a Lei Maria da Penha prevê que agressor fique longe da vítima, o uso de tornozeleira eletrônica e prisão por descumprimento da medida protetiva.

O Mato Grosso do Sul é um dos Estados da Federação que lidera o ranking de violência contra a mulher e feminicídio e o Brasil ocupa o 5º lugar.

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