Foi decidido, pela família da menina de 10 anos que foi estuprada e passou por um aborto autorizado pela Justiça, que a ela irá receber uma nova identidade e também mudará endereço, não retornando para a cidade de São Mateus (ES), onde morava e onde aconteceram os abusos.
Essa medida será tomada por conta da grande repercussão e exposição do caso, já que o seu nome e o nome do Hospital em que realizou o aborto, foram divulgados pela ativista de extrema direita Sara Giromini, conhecida como Sara Winter.
Devido ao ocorrido, nesta quarta-feira (19), o MPE-ES (Ministério Público Estadual do Espírito Santo) ingressou com uma ação civil pública para que a ativista seja condenada a pagar R$ 1,3 milhão por danos morais ao Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente de São Mateus (ES).
Por conta da divulgação do local do Hospital, vários grupos extremistas e religiosos se posicionaram em frente ao Cisam (Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros) no Recife, onde o aborto foi realizado.
O estabelecimento manteve sigilo sobre o dia de alta da menina e montou um esquema de segurança para protegê-la. Com o intuito de evitar que ela seja hostilizada nos protestos os quais integrantes chamaram o médico de assassino e tentaram entrar à força no hospital.
Para a família da menina, foram oferecidos dois programas que fazem parte do Sistema Estadual de Proteção a Pessoas Ameaçada: o Provita (Programa de Apoio e Proteção às Testemunhas, Vítimas e Familiares de Vítimas da Violência) e o PPCAAM (Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte).
De acordo com as informações da UOL, a família vai entrar no Provita. O programa tem o intuito de proteger testemunhas e vítimas de crimes que estão sendo coagidas ou expostas à grave ameaça em razão de colaborarem com investigação ou processo criminal. Ele tem de duração de dois anos, podendo ser renovado por mais dois anos. Provita também proporciona à pessoa protegida reinserção social em novo território, diverso do local do fato e da ameaça - neste caso, São Mateus.
De acordo com informações da Polícia Civil do Espírito Santo, a mãe da menina já morreu e tinha histórico de ser andarilha. O pai está preso. Portanto, ela vive sob responsabilidade da avó.
(*)UOL