O 1º sargento da PM ( Polícia Militar), José Batista Correa, de 48 anos, o Jota Correa, se despediu da polícia dizendo que deixa a corporação com a consciência tranquila de dever cumprido.
Na cidade, Jota Correa fez muitos amigos não só no 2º BPM ( Batalhão de Polícia Militar), mas também entre os moradores de Três Lagoas. Profissional dedicado e cumpridor de suas tarefas, o 1º sargento , passou para a reserva com consciência tranquila de dever cumprido com seus superiores, subordinados e com a população que serviu e protegeu durante os mais de 27 anos que esteve usando a farda da PM.
Honestidade, ética e responsabilidade são algumas das qualidades do Jota Correa, que coordenou uma das ações que merecem ser aplaudidas de pé pela população três-lagoense.
Em agosto de 2013, durante mais um dia de serviço, a guarnição comandada pelo sargento se deparou com um motociclista em atitude suspeita no bairro Vila Alegre. O rapaz ao notar a presença da viatura fugiu, infringindo as leis de trânsito e colocando em risco a vida de outros motoristas e pedestres. Depois de cair da moto, o rapaz entrou em uma casa e sem ter para onde correr, tentou atirar contra os policiais que revidaram a injusta agressão. Socorrido ao Hospital Auxiliadora, o motociclista não resistiu e morreu.
Na ocasião, os policiais descobriram que além de estar com uma moto furtada no município de Brasilândia, usando documentos falsos, o motociclista era procurado pela Justiça. Ele havia sido condenado a 19 anos de prisão por estupro. Na delegacia, durante a elaboração da ocorrência, uma mulher pediu para reconhecer o corpo do rapaz. Ao deixar o órgão,a mulher fez questão de cumprimentar os policiais e com um apertou de mão os agradeceu.
A mulher em questão, era a vítima do estupro e estava sendo ameaçada de morte pelo rapaz. Na época, ela chegou a comentar com os policiais que a partir daquele momento, iria conseguir dormir em paz.
“ Sempre servi e protegi como se fosse minha família. Na polícia, sempre exaltei os cidadãos de bem”, disse o sargento.
CARREIRA
Jota Correa prestou concurso para a Polícia Militar do Estado de Mato Grosso do Sul aos 21 anos a convite de um amigo que infelizmente não passou e posteriormente se tornou vigilante.
A convite do tenente coronel, Wilson Sérgio Monari, na época comandante do 2º BPM, Correa , foi responsável durante cinco anos pelo Pelotão do Distrito de Arapuá onde participou de duas grandes apreensões de drogas.
Depois integrou o Rotai (Rondas Ostensivas e Táticas do Interior), hoje, Força Tática. O sargento permaneceu na equipe por quatro anos até se aposentar.
“ Eu adoro o serviço operacional. Quando uma equipe é entrosada, conseguimos fazer até três flagrantes por plantão. Como comandante de uma equipe da Rotai naquela época, conseguimos mostrar nosso potencial, a Rotai de Três Lagoas, agora Força Tática, é a mais respeitada do estado”, falou Correa.
O sargento conta que se pudesse escolher uma profissão, seria policial militar de novo.
“ Geralmente nossos pais são contra a profissão por medo. Mas o medo, não vem da rua, o medo maior da atualidade é da Justiça brasileira, que muitas vezes parece estar agindo do lado contrário”, desabafou o sargento.
Jota Correa explica que a responsabilidade e o senso de Justiça sempre o nortearam.
“ Um dos últimos episódios que me fez refletir e decidir aposentar , foi uma escolta que fiz ainda na Rotai. Nós levamos três presos do Presídio de Segurança Média até uma agência bancária para eles receberem o auxilio reclusão. Os valores maiores que um salário mínimo, R$ 1.900, R$ 3.000 e R$ 19.000. Agora, imagina, eu pago imposto, o cara tá preso, cometeu um crime, vai receber um valor desses pago pelo cidadão de bem e ainda escoltado pela polícia. Ele chega no presídio e ainda zomba da lei. Eu não concordo com essas coisas. Essa é minha opinião”, concluiu.