Na sessão de terça-feira (26) os vereadores da situação voltaram a ignorar orientação do líder da prefeita, Antônio Rialino (PMDB), votando contra os interesses da administração municipal. No caso, foi derrubado o parecer do vereador Gilmar Tosta (PT), presidente da CCJ, que desqualificava Projeto de Lei de Jorge Martinho (PSD) que garante o livre acesso de vereadores às repartições públicas em geral, no exercício de sua função fiscalizadora (confira matéria nesta pagina).
Os “insurgentes” asseguram que não se trata de um indício de futuro abandono da base da prefeita Márcia Moura (PMDB), mas que simplesmente exerceram o direito que o cargo lhes faculta. Nas entrelinhas, entretanto, a votação soa como uma retaliação ao descaso de secretários e diretores em relação às suas indicações e requerimentos, reclamação recorrente e a um só coro.
O presidente da Câmara, Jorginho do Gás (PSDB), que desempatou a votação, por exemplo, ponderou que ser aliado não significa ser subserviente. “Eu continuo na base, mas tenho o direito de me expressar”, disse. Além do mais, diz ter adotado como princípio a coerência de não votar contra projeto de colegas. “Ainda mais em um desse que favorece os vereadores”, completou. Antes, o tucano já havia debatido com Rialino, líder da prefeita, sobre a necessidade de se mudar a forma de administrar a cidade, reclamando, por exemplo, da pouca injeção de recursos próprios em obras de infraestrutura, a despeito do aumento da arrecadação municipal.
Teoricamente, a prefeita tem como opositores na Câmara, os vereadores Jorge Martinho, Gil do Jupiá (PSB) e Beto Araújo (PSD). Welton Irmão (PRB) e Idevaldo Claudino (PT), se declaram independente. Os demais são base.LAVANDO AS MÃOS“Eles [os vereadores] têm que se explicar é com a prefeita. Eu fiz a minha parte”, disse Rialino, visivelmente irritado e tendo à mão a lista dos que destoaram dos demais aliados. “Ou é base ou é contra”, emendou, presumindo que a atitude dos colegas deve ter sido por alguma insatisfação, alheia ao seu conhecimento. Entretanto, não vê nenhum risco de projetos do Executivo de maior relevância serem rejeitados, principalmente, porque dois vereadores da base não estavam presentes à sessão: Adão da Apae e Nilo Cândido, respectivamente, PMDB e PDT. E finalizou: “É o fim da picada alguém vota contra relatório da CCJ, mas eu respeito a opinião de cada um”.