Assim que assumiu a presidência da Câmara de Três Lagoas, o vereador Jorginho do Gás (PSDB) adotou medidas mais rigorosas no que se refere à doação de áreas no Distrito Industrial. Os critérios passaram a ser mais severos ainda, no início deste ano, após recomendações do Ministério Público Estadual. Atualmente, pelo menos três pedidos estão pendentes na Câmara, sendo o maior deles o de uma fábrica de piscina e lanchas de fibras, do município de Belo Horizonte (MG). A Alpino Fibras LTDA pleiteia área de 20 mil m2 e prevê investimento de R$ 4 milhões e geração de 40 empregos diretos.
A doação desta área está dependendo apenas da visita de uma comissão de vereadores à sua matriz em BH, para constatar sua idoneidade e se a sua estrutura e capacidade de investimento confere com o que foi apresentado pelo empreendedor. Além disso, o vereador Rialino (PMDB) presidente da Comissão Permanente de Indústria, Comércio e Turismo, diz que há outro item que está travando a doação: o fato de que o pedido é de doação definitiva da área, tendo em vista a necessidade de busca de financiamentos. Nesse caso, ele afirma que há a necessidade de inserir uma clausula de reversibilidade que garantirá a devolução da área, caso não seja cumprido o acordado. Isso evitará prejuízo semelhante ao que foi causado pela Nellitex que abandonou a cidade e agora está vendendo a área que recebeu como doação.
Outros dois projetos, de empresários locais, estão pendentes na Câmara, devido a questionamentos dos vereadores sobre o enquadramento na categoria industrial. Trata-se de uma fábrica de carvão vegetal e seus subprodutos (munha, tiço, e lenha beneficiada) e uma tornearia. A de carvão, por exemplo, já tramitou por algum tempo, mas não passou exatamente por esse motivo, explicou Rialino. A previsão de investimento é de R$ 516.750, com previsão de gerar nove empregos diretos numa primeira fase e 18 na segunda. Quanto à tornearia, não há detalhes pormenorizados. O secretário de Desenvolvimento Econômico Luciano Dutra, apenas afirmou que a intenção do empresário é produzir peças para a Eldorado.
Além da constatação in loco da idoneidade do empresário pleiteante da área, Rialino explicou que, doravante, os pedidos de doação oriundos da prefeitura terão de vir acompanhados de laudo de avaliação da área e que ela seja proporcional ao tamanho do investimento. Segundo ele, uma quadra de 10 mil metros2, por exemplo, não custa menos 2,5 milhões.