As críticas que vem sofrendo desde que transmitiu o cargo ao seu sucessor, Reinaldo Azambuja (PSDB), anteciparam a aparição pública do ex-governador André Puccinelli (PMDB), acusado de ter deixado uma ‘herança maldita’ para o rival.
Além de obras inacabadas, como o emblemático e milionário Aquário do Pantanal, André é acusado pelo adversário de deixar uma despesa de mais de R$ 507 milhões.
O montante seria para concluir obras iniciadas e não terminadas no mandato do peemedebista, sem que tenha sido reservado recursos financeiros.
Irritado com os ataques, o ex-governador foi à Assembleia Legislativa na sessão desta terça-feira (3) para se defender, além de anunciar a liberação de verbas que seriam de convênios firmados em sua gestão.
Segundo ele, serão liberados cerca de R$ 90 milhões em convênios assinados durante seu mandato para investimento em obras de saneamento e habitação.
“Vim prestar contas a essa Casa de leis, que muito respeito, e dar ciência de que houve a liberação do que foi assinado durante meu mandato”, salientou.
De acordo com o líder do PMDB na Casa, deputado estadual Eduardo Rocha, no total foram liberados pela CEF (Caixa Econômica Federal) R$ 51 milhões para a cidade de Três Lagoas, R$ 25 milhões para Dourados e R$ 10 milhões para Corumbá.
Os demais valores, segundo ele, correspondem à construção de 80 casas populares no município de Juti. “Houve um atraso no repasse dos valores do convênio pela Caixa por conta da desoneração da folha que acontece todo final de ano. No entanto, os valores já foram liberados”, explicou.
A presença do ex-governador na Assembleia agradou até parlamentares que fizeram oposição ao seu governo. “O atual governo tem criticado muito a gestão passada e o ex-governador acabou ficando preocupado com a imagem dele. Por conta disso veio se defender e apresentar valores e liberações de convênios, isso é válido”, avaliou o líder do PT na Casa, Pedro Kemp, considerando válida a visita de André Puccinelli.
Na saída do encontro, o líder peemedebista não quis falar com a imprensa ao ser questionado sobre um relatório a ser apresentado por Reinaldo Azambuja. Ele limitou-se a dizer apenas que irá contestar quando o documento for divulgado.