“Acho que a Câmara, de uma maneira geral, está perdendo o foco e preocupando-se mais com as eleições e deixando os interesses da população de lado”. É o que opinou o promotor de Justiça Fernando Lanza durante entrevista ao Hojemais. Para ele, a maioria dos vereadores se preocupa apenas em ser populista e se perdeu no que se refere à ideologia. “Hoje não se sabe mais o que é direita ou esquerda; oposição ou situação”, ponderou, observando que a preocupação principal de cada um é apenas em viabilizar a sua reeleição. “E nessa [preocupação], se perderam de vez”, observando, porém, que como em toda regra, no Legislativo também há exceções, embora, evite aponta-las.
E o promotor alerta que o eleitor está atento a este comportamento dos parlamentares e prevê que poderá haver grandes surpresas nas urnas. “O eleitor está cansado da mesma conversa. O político tem procurar ser mais fiel ao que propõe em campanha”, adverte.
Observando que não se trata de uma peculiaridade de Três Lagoas, o promotor diz que a deturpação do verdadeiro papel do político está escancarada e que a esperança é que a população saiba dar a resposta nas urnas e emenda: “isto, se a voz do povo continua sendo a voz de Deus”.
Instado a dar uma nota de 0 a 10 para a atual Câmara de Três Lagoas, sem titubear ele, aplicou um cinco. “Pode melhorar, mas poderia ser pior”, frisa.
SEM PARCIALIDADE
Outro assunto abordado pelo promotor foi a recente insinuação do vereador Jorge Martinho (PSD) em uma emissora de rádio de que a Promotoria Pública joga pesado contra o Legislativo e às vezes ameniza quando se trata da Prefeitura. Ele negou veementemente a acusação, explicando que poder ocorrer de algumas questões da Prefeitura serem mais complexas e de difícil resolução, enquanto que as da Câmara, normalmente, são mais simples.
Embora afirme compreender a indignação do vereador, a quem classificou como um dos mais atuantes da Casa de Leis, Lanza garante que não existe nenhuma denuncia contra a Prefeitura que não tenha dado prosseguimento e, portanto, afirma estar absolutamente tranquilo em relação a este assunto.
Segundo o promotor, mesmo que queira não tem como proteger essa ou aquela pessoa, uma vez que antes de arquivar qualquer ação tem de encaminhá-la ao Conselho Superior do Ministério Público e que alguns procedimentos chegam a ser devolvidos pelo fato de o colegiado não concordar com seu posicionamento. “Não tenho poder para dar sumiço em nada”, reitera.
Por fim, diz que o vereador tem todo o direito de se sentir incomodado e fazer o que acha que deve ser feito, e volta a dizer que está agindo dentro da legalidade e seguindo determinações da Corregedoria.