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Membros do Conselho da Diversidade Sexual rebatem críticas de pastores

O protesto e imposição dos presidentes do Conselho e da Associação de pastores de Três Lagoas, contra a forma com que foi aprovado o Conselho Municipal da Diversidade Sexual, gerou bastante polêmica.

Max Souza
23/11/15 às 17h54
Membros do conselho da Diversidade Sexual durante sessão da Câmara Municipal (Divulgação)

O protesto e imposição dos presidentes do Conselho e da Associação de pastores de Três Lagoas, contra a forma com que foi aprovado o Conselho Municipal da Diversidade Sexual, gerou bastante polêmica. A questão envolve diversos detalhes, que estão centrados principalmente no artigo 10, que se refere ao apoio recebido pela Assistência Social.

Representantes do Conselho Municipal da Diversidade Sexual estiveram na redação do Jornal Hojemais para discutir esta questão. Entre os pontos levantados, foi destacada a falta de entendimento no que diz respeito ao apoio municipal, que será técnico e não financeiro.

Os representantes do conselho rebateram o protesto dos pastores, afirmando que os representantes deveriam ter avaliado com atenção todos os pontos do artigo, antes de alegar recebimento de fundos privados.

Paulinha Martinelly, coordenadora das travestis/transexuais, citou que ao analisar o discurso dos pastores, percebeu que eles visam vetar ou modificar um artigo imposto por lei, apenas com objetivo de garantir seus princípios religiosos.

“Não é como eles estão descrevendo. Eles não souberam fundamentar jurídica e fatidicamente o protesto. Tudodo isso foi um incomodo, devido o preconceito. Eles estão ferindo a laicidade do Estado”, completou.

O artigo 10, em questão, diz: “A Secretaria Municipal de Assistência Social prestará todo o apoio técnico, administrativo e de infraestrutura, necessários ao pleno funcionamento do Conselho municipal da Diversidade Sexual – LGBT”.

A sessão da Câmara Municipal aconteceu na última terça-feira (17) e foi lotada por membros da comunidade, que acompanharam a votação da matéria e comemoraram com afinco a sua aprovação.

Os representantes do conselho LGBT enfatizaram também a fala do pastor Nilton, da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Mato Grosso do Sul: “A prefeitura está em um momento de dificuldade e não dá para soltar dinheiro à vontade”. Para eles, o pastor visou o fato da cidade estar em “crise” e não poder colaborar com os eventos da conselho LGBT, mas não comentou sobre a realização de shows evangélicos com o apoio do poder público.

O grupo acrescentou, ainda, que a postura dos pastores foi negativa, por não avaliarem corretamente a proposta, entretanto também foi positiva, pois mostrou à sociedade que existe uma bancada religiosa munida de representantes, classificados pelos membros do conselho LGBT como preconceituosos e hetero-normativos.

Para finalizar, os membros do grupo desabafaram dizendo que dentro de uma Câmara Municipal não se deve discutir assuntos religiosos, mas legislativos, baseados na constituição e não na Bíblia.

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