Os presidentes do Conselho e da Associação de pastores de Três Lagoas, respectivamente Nilton Carvalho dos Santos e Marcos da Paz Silva, protestaram contra a aprovação do Conselho Municipal da Diversidade Sexual, órgão ligado à Secretaria Municipal de Assistência Social do município.
Os dois deixam claro que não são contra o conselho, mas contra a forma com que foi aprovado e querem também que seja alterado o artigo 10, que diz: “A Secretaria Municipal de Assistência Social prestará todo o apoio técnico, administrativo e de infraestrutura, necessários ao pleno funcionamento do Conselho municipal da Diversidade Sexual – LGBT”. O projeto foi aprovado com os votos contrários dos vereadores Apóstolo Ivanildo (PSB) e Welton Irmão (PRB). Em peso, a comunidade LGBT lotou a Câmara para acompanhar a votação da matéria e comemorou muito a sua aprovação.
A revolta é pelo fato de o presidente da Câmara, vereador Jorginho do Gás (PSDB) ter colocado de última hora o projeto em pauta e não ter aceitado o pedido de vistas do vereador Apóstolo Ivanildo. Para o pastor Nilton, da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de MS, o presidente da Câmara não levou em consideração a grande discrepância que há na Lei, uma vez que o Conselho da Diversidade vai dar, por força de Lei, gastos à Secretaria. “Qualquer ação realizada por eles terá de ser financiada pela Assistência Social, incluindo a Parada Gay e isto não está correto”, protesta. “Ainda que venham [as ações] ser úteis para a sociedade em alguma coisa – e a gente sabe que a maioria não é -, não tem sentido”, completa.
“Eles têm direito de criar o Conselho, mas é necessário mudar o artigo 10. A prefeitura está em dificuldade e não dá para soltar dinheiro à vontade”, finalizou.
Em forma de protesto, o Conselho e a Associação irão elaborar uma nota de repúdio e também buscar um posicionamento da comunidade cristã (evangélicos e católicos) que, segundo o pastor Nilton, representa mais de 90% da população da cidade. “Eles [a comunidade LGBT] são um grupo muito pequeno para terem um direito tão especial”, disse, afirmando que vai buscar igualdade de tratamento para todos ou então que a Lei seja revista.
O pastor Marcos, do Ministério Apostólico da Paz, reiterou que não se trata de um não reconhecimento ao Conselho da Diversidade, “mas a forma absurda com que o presidente [da Câmara] agiu”.