Ainda não foi desta vez que os vereadores conseguiram aprovar o projeto de lei que lhes dá livre acesso às repartições públicas em geral no município. Na semana passada, com o voto de minerva do presidente Jorginho do Gás (PSDB), a matéria teve andamento nas comissões.
Na sessão desta terça (2), o seu autor, Jorge Martinho (PSD) já contava como certa a sua aprovação. Entretanto, o líder da prefeita Márcia Moura (PMDB), Antônio Rialino (PMDB), lançou mão de uma carta na manga pouco utilizada em Três Lagoas. Ele pediu vistas do projeto e ganhou mais uma semana de fôlego para tentar convencer os vereadores da base a não aprovarem o projeto. No entendimento de Rialino, a intenção de Martinho – algoz da prefeita – é conseguir uma carta branca para promover devassas nas repartições municipais; já os partidários da prefeita que se recusam a seguir suas orientações não enxergam dessa forma. Eles afirmam que, simplesmente, terão mais autonomia para desempenharem suas funções.
Na verdade, este projeto caiu como uma luva para a maioria dos parlamentares que de longa data reclamam do descaso com que são tratados por secretários e diretores municipais. “Será uma forma de nos respeitarem”, afirmou um vereador. Outro fato que levou os vereadores a votarem “contra” a prefeita são os vetos por parte dela a projetos de suas autorias aprovados pela Câmara. “Eu mostrei isso e eles acabaram entendendo”, disse Jorge Martinho.
Na semana passada, além dos vereadores oposicionistas – Jorge Martinho, Beto Araújo (PSD), Idevaldo Claudinho (PT) e Gil do Jupiá (PSB) -, votaram a favor do projeto os vereadores da base Apóstolo Ivanildo e Amilson Torres, ambos do PSB e a peemedebista Vera Helena. Para a sessão da última terça, Martinho disse que já tinha garantido o voto de Nilo Cândido. Com oito votos, caso a matéria fosse novamente à votação daria novo empate. Por isso o pedido de vistas de Rialino.