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Crohn e retocolite crescem no Brasil

Especialistas alertam para sintomas intestinais persistentes e demora no diagnóstico

Thais Constantino  - Hojemais Três Lagoas 
15/05/26 às 13h30
Foto: Divulgação

Sintomas como dor abdominal frequente, diarreia persistente, perda de peso, cansaço excessivo e alterações intestinais que muitas vezes são tratados como problemas comuns podem esconder casos de doenças inflamatórias intestinais , que vêm avançando principalmente entre adultos jovens no Brasil.

O alerta ocorre diante do aumento das internações relacionadas à Doença de Crohn e à Retocolite Ulcerativa , enfermidades crônicas que ainda enfrentam dificuldades no diagnóstico precoce e afetam diretamente a qualidade de vida dos pacientes.

Dados da Sociedade Brasileira de Coloproctologia , baseados no Sistema de Informações Hospitalares do SUS, mostram que as internações por doenças inflamatórias intestinais cresceram 61% entre 2015 e 2024 na rede pública. A estimativa aponta que o Brasil já registra até 100 casos para cada 100 mil habitantes.

Segundo a gastroenterologista Dídia Bismara Cury , diretora regional da Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn, muitos pacientes convivem durante anos com sintomas sem imaginar que enfrentam uma doença crônica.

“Muitas pessoas acreditam que se trata apenas de um intestino sensível, alimentação inadequada ou estresse. Quando o diagnóstico finalmente acontece, a doença já pode estar em estágio avançado e afetando diferentes áreas da vida”, explica.

A especialista afirma que as doenças inflamatórias intestinais provocam inflamações contínuas no trato gastrointestinal e podem causar sintomas como dores abdominais, diarreia frequente, sangramento intestinal, alterações nutricionais e fadiga intensa. Em diversos casos, os sintomas aparecem em períodos alternados, dificultando ainda mais a identificação precoce.

Saúde mental também é afetada

Além dos impactos físicos, a médica alerta para os reflexos emocionais enfrentados pelos pacientes. De acordo com ela, ansiedade, medo, insegurança, alterações no sono e desgaste psicológico podem agravar as crises e piorar os sintomas.

“O intestino e o cérebro mantêm comunicação constante por meio do eixo intestino-cérebro. O estresse crônico pode aumentar dores, influenciar os sintomas e afetar a qualidade de vida. Da mesma forma, a inflamação também interfere nas emoções e na saúde mental”, destaca.

Dídia ressalta que os tratamentos evoluíram nos últimos anos, principalmente com novas terapias e maior controle clínico da inflamação. Mesmo assim, ela defende um acompanhamento mais amplo e humanizado dos pacientes.

“A Medicina avançou no controle da inflamação, mas é necessário tratar o paciente de forma integral, considerando também a mente, as emoções e a história de quem convive com uma doença crônica”, afirma.

 

Apesar de não terem cura definitiva, a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa podem ser controladas com diagnóstico precoce e tratamento contínuo. O alerta ganha ainda mais relevância às vésperas do Dia Mundial das Doenças Inflamatórias Intestinais, celebrado em 19 de maio.

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