O avanço da inteligência artificial (IA) tem facilitado a criação de conteúdos falsos capazes de enganar consumidores. Vídeos e áudios de celebridades, influenciadores e até profissionais da saúde estão sendo manipulados por criminosos por meio da tecnologia conhecida como deepfake para promover a venda de medicamentos e suplementos alimentares irregulares.
O alerta é da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) , que orienta a população a desconfiar de recomendações feitas por pessoas famosas, mesmo quando a imagem ou a voz parecem autênticas. Em muitos casos, essas gravações são adulteradas para transmitir credibilidade e incentivar a compra de produtos clandestinos, produzidos sem autorização, ou até falsificados.
Nem toda indicação serve para você
Mesmo quando a recomendação é verdadeira e parte de uma personalidade conhecida, a orientação é nunca iniciar um tratamento apenas com base em conteúdos divulgados nas redes sociais.
Cada pessoa possui um histórico clínico diferente, além de doenças preexistentes e possíveis interações com outros medicamentos. Por isso, um produto indicado para um paciente pode representar riscos para outro.
A Anvisa também chama atenção para o grande número de influenciadores contratados para promover marcas e produtos. Ainda que atuem de boa-fé, eles não conhecem as condições de saúde de quem acompanha seus conteúdos e, por isso, não podem substituir a orientação de um profissional habilitado.
Antes de utilizar qualquer medicamento, suplemento ou tratamento, a recomendação é procurar um profissional de saúde qualificado para avaliar cada caso individualmente.
Até médicos podem ser falsificados por IA
Outra prática que vem preocupando autoridades é a utilização de médicos criados por inteligência artificial em anúncios enganosos que prometem curas milagrosas para diversas doenças.
Segundo a Anvisa, conselhos profissionais e reportagens investigativas já identificaram campanhas fraudulentas que utilizam imagens e vozes artificiais de supostos médicos para divulgar medicamentos, suplementos e outros produtos para a saúde.
Por isso, é importante conferir sempre a identidade do profissional, verificando seu nome e número de registro no conselho da categoria. No caso dos médicos, a consulta pode ser feita diretamente no portal do Conselho Federal de Medicina (CFM) .
A Resolução nº 2.336/2023 determina que médicos que produzem conteúdo nas redes sociais devem informar o número do CRM , o estado de registro e, quando houver especialidade, também o número do RQE .
Venda de medicamentos fora de farmácias é irregular
A Anvisa reforça que medicamentos comercializados por redes sociais, marketplaces, ambulantes, carros de som, sites que não pertencem a farmácias ou pessoas físicas representam um forte indício de irregularidade.
No Brasil, a venda de medicamentos é permitida apenas em farmácias devidamente regularizadas pela Vigilância Sanitária ou em seus canais oficiais na internet.
Suplementos não curam doenças
Outro golpe frequente envolve anúncios que prometem tratamento ou cura de doenças por meio de suplementos alimentares .
A agência explica que esses produtos são destinados exclusivamente à suplementação de nutrientes, substâncias bioativas, probióticos e enzimas em pessoas saudáveis. Eles não podem ser divulgados com alegações de prevenção, tratamento ou cura de doenças.
Além da propaganda enganosa, muitos desses itens podem ser clandestinos ou falsificados.
"100% natural" não significa sem riscos
Expressões como "produto 100% natural" ou "sem efeitos colaterais" também devem despertar desconfiança.
Mesmo medicamentos fitoterápicos, produzidos a partir de plantas medicinais, podem causar efeitos adversos quando utilizados de forma inadequada e precisam estar devidamente regularizados pela Anvisa .
Como evitar golpes
A principal orientação é sempre consultar profissionais de saúde antes de iniciar qualquer tratamento e verificar se o medicamento ou suplemento possui autorização da Anvisa.
A agência também alerta para produtos vendidos como "químicos experimentais" ou destinados a "fins de pesquisa" . Esse tipo de comercialização é irregular e, na maioria das vezes, representa uma tentativa de enganar consumidores.
Segundo a Anvisa, o uso de produtos que não passaram por avaliação da agência pode oferecer sérios riscos à saúde, já que não há garantia sobre sua segurança nem comprovação de eficácia no caso dos medicamentos.
Com Informações: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
