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Saúde

Estudo alerta para melanoma fora da pele

Fundação do Câncer alerta que o tumor pode atingir olhos, mucosas e órgãos internos e reforça a importância do diagnóstico precoce

Thais Constantino  - Hojemais Três Lagoas 
15/09/26 às 07h53
Estudo alerta para melanoma fora da pele (Foto: Reprodução)

Embora seja frequentemente associado ao câncer de pele , o melanoma também pode surgir em outras partes do organismo. A Fundação do Câncer alerta que a doença tem origem nos melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina, e pode atingir olhos, mucosas da cavidade oral e órgãos dos sistemas genital e digestório .

O tema é abordado na 12ª edição do boletim Análises e Tendências em Câncer , intitulada “Melanoma: nem sempre na pele” . Apesar de menos frequente, esse tipo de câncer é considerado agressivo pelo maior potencial de provocar metástase .

“Para enfrentar o câncer, não basta tratar. É preciso conhecer. Conhecer para prevenir, diagnosticar mais cedo, planejar melhor os serviços de saúde e orientar políticas públicas capazes de salvar vidas”, destaca o boletim.

Os dados utilizados são provenientes da plataforma info.oncollect, que reúne e analisa registros hospitalares de oncologia.

Diagnóstico precoce aumenta chances de cura

Segundo o coordenador do estudo e consultor médico da Fundação do Câncer, Alfredo Scaff, o enfrentamento do melanoma exige prevenção, diagnóstico precoce, registros qualificados, acesso ao tratamento e integração entre atenção básica, dermatologia, oftalmologia, oncologia e outras especialidades.

“O câncer é uma doença que tem cura quando diagnosticado e tratado precocemente”, destaca Scaff.

No SUS , o tratamento padrão envolve cirurgia da lesão primária e retirada dos linfonodos comprometidos. Entre 2014 e 2023, a cirurgia correspondeu a 84,7% dos tratamentos iniciais do melanoma de pele no Brasil. No Sudeste, chegou a 89,6%, enquanto no Norte ficou em 64,4%.

A maioria dos pacientes realizou o tratamento na própria região onde morava. A exceção foi o Centro-Oeste, onde 20,2% precisaram se deslocar , situação classificada pela Fundação como importante gargalo de acesso à assistência especializada.

Imunoterapia mudou tratamento do melanoma

O Inca informa que a quimioterapia também é utilizada. Em 2016, a Anvisa aprovou os medicamentos anti-PD-1 nivolumabe e pembrolizumabe , além da aprovação mais recente do tebentafuspe , específico para melanoma ocular metastático ou inoperável.

Em 2020, a Conitec aprovou a primeira imunoterapia no SUS para melanoma metastático, com nivolumabe e pembrolizumabe. Segundo Scaff, os novos medicamentos elevaram a melhora clínica de menos de 10% dos pacientes submetidos à quimioterapia para até 70% entre aqueles tratados com imunoterapia .

No melanoma extracutâneo, porém, o coordenador de Assistência do Inca, Gélcio Mendes, afirma que ainda existem poucas evidências sobre imunoterapia, algumas sem efetividade.

Outro desafio é o alto custo dos medicamentos , que limita o acesso no SUS. A Fundação defende compras centralizadas e ampliação da produção nacional. Mudanças no programa de Assistência Farmacêutica em Oncologia (AF-Onco) estão em tramitação para ampliar o acesso, mas a logística de compra e distribuição às Unacons e Cacons ainda depende de pactuação entre gestores.

Melanoma ocular pode não apresentar sintomas

Uma análise de 42.255 casos mostrou que 92,2% eram melanomas cutâneos, 5,7% oculares e 2,5% de mucosa.

Entre 1990 e 2021, foram registrados 1.324 novos casos de melanoma extracutâneo , sendo 523 em homens e 801 em mulheres. O olho concentrou 75% dos casos, seguido pelos órgãos genitais (12,8%) e sistema digestório (8,2%).

Dos 993 casos de melanoma ocular analisados, 447 ocorreram em homens e 546 em mulheres. A doença pode ser assintomática inicialmente e ser descoberta somente em exames de rotina. Quando aparecem, os sintomas podem incluir visão embaçada, flashes luminosos, manchas no campo visual e perda da visão .

Melanoma de pele representa 4% dos tumores malignos da pele

A radiação ultravioleta (UV) é o principal fator de risco para câncer de pele, especialmente em pessoas de pele clara e conforme a intensidade e o padrão de exposição solar.

Apesar de o câncer de pele ser a neoplasia maligna mais frequente no país, o melanoma corresponde a apenas 4% dos tumores malignos da pele , mas apresenta maior agressividade e capacidade de disseminação.

Entre 1990 e 2021, foram registrados 30.614 novos casos de melanoma de pele : 15.714 em mulheres (51,3%) e cerca de 14,9 mil em homens (48,7%). Os locais mais atingidos foram tronco (22,4%), membros inferiores (19,1%) e superiores (13,8%). Homens tiveram mais diagnósticos na orelha, couro cabeludo, pescoço e tronco, enquanto mulheres apresentaram maior ocorrência na face, membros inferiores e superiores.

Em 2023, o Inca contabilizou 2.047 mortes por melanoma de pele no Brasil , sendo 1.176 homens e 871 mulheres. Entre 2020 e 2024, a média foi de seis mortes por milhão de habitantes, chegando a oito por milhão entre homens e cinco por milhão entre mulheres.

 
 
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