A frequência das consultas com o oftalmologista deve variar conforme a idade, condições de saúde e fatores de risco. A orientação consta em documento lançado pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) durante o 70º Congresso da especialidade, em Salvador.
Segundo o CBO, avaliações periódicas são essenciais para o diagnóstico precoce de doenças oculares , inclusive aquelas que evoluem sem sintomas e podem causar perda irreversível da visão.
Quando procurar um oftalmologista?
Nos recém-nascidos , o teste do reflexo vermelho deve ser realizado nas primeiras 72 horas ou antes da alta da maternidade. Entre 0 e 36 meses, o teste deve ser repetido pelo menos três vezes ao ano nos primeiros três anos.
A primeira consulta oftalmológica completa é recomendada entre 6 e 12 meses . Dos 3 aos 5 anos, deve ser realizada pelo menos uma avaliação completa, preferencialmente antes da alfabetização.
Durante a idade escolar e adolescência , são recomendadas reavaliações periódicas, especialmente porque esse é o período de maior surgimento e progressão da miopia.
Adultos com até 39 anos devem manter acompanhamento mesmo sem sintomas. A partir dos 40 anos, a recomendação é de consulta anual , período em que aumenta a ocorrência de glaucoma e vista cansada. Para idosos, o acompanhamento também deve ocorrer pelo menos uma vez por ano, com atenção à catarata, glaucoma e degeneração macular.
Diabetes exige atenção redobrada
Pessoas com diabetes, histórico familiar de doenças oculares ou outras condições de risco podem precisar de acompanhamento mais frequente, definido individualmente pelo oftalmologista.
Cerca de 50% dos diabéticos desenvolvem algum grau de retinopatia diabética , percentual que chega a aproximadamente 80% após 25 anos da doença. O risco de cegueira é quase 30 vezes maior nesses pacientes.
Parentes de primeiro grau de pessoas com glaucoma apresentam entre quatro e oito vezes mais chance de desenvolver a doença. Miopia elevada, prematuridade, uso prolongado de corticoides, hipertensão, doenças autoimunes e medicamentos com potencial de toxicidade ocular também exigem maior vigilância.
Usuários de lentes de contato devem realizar acompanhamento pelo menos anual. O documento também recomenda consultas regulares para usuários de canetas emagrecedoras , diante de estudos que apontam possível associação com neuropatias ópticas e alterações da retinopatia diabética.
Diagnóstico precoce pode evitar perda da visão
O CBO destaca que grande parte das causas de cegueira e deficiência visual pode ser evitada ou tratada quando identificada precocemente. Entre crianças, erros de refração não corrigidos são a principal causa de deficiência visual e podem prejudicar o desempenho escolar e a socialização.
No Brasil, o conselho estima que cerca de 1,5 milhão de pessoas sejam cegas . Catarata, glaucoma, retinopatia diabética e degeneração macular estão entre as principais causas, especialmente entre idosos.
Consultas e exames oftalmológicos devem ser realizados por profissionais habilitados e em locais que atendam às exigências sanitárias da Anvisa .
