Desde o ano de 1999, comemora-se, em 21 de março, o Dia Mundial da Poesia, estabelecido na XXX Conferência Geral da Unesco. Manifestação artística e literária, ela vem impactando a vida da humanidade por todas as gerações. Em Três Lagoas, tal arte não deixa de estar presente, ganhando, inclusive, figuras de destaque.
Nascida em 1930, uma das poetisas três-lagoenses mais reconhecidas, Flora Egídio Thomé (14 de novembro de 1930 - 01 de abril de 2014), foi, além de poeta, professora graduada em Letras e articulista. Suas expressivas obras carregam uma vasta bagagem cultural, marcada por suas paixões pelas viagens. Thomé chegou a visitar países como Espanha, França, Itália, Portugal, Inglaterra, Estados Unidos, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Suécia e Noruega.
Apesar de suas viagens, Flora ansiava sempre por voltar a seu lar, e seus escritos revelam muito de sua trajetória em Três Lagoas, sua cidade natal,
Olhando para a rua
me vejo criança
me vejo menina
deitada na areia
brincando na areia
fazendo castelos
castelos de areia...
Me sinto mulher
e olho para a rua...
Ah, eu tenho desejos
(ah! desejos impossíveis)
de ser outra vez criança
de deitar na rua
de brincar na areia
de fazer castelos
castelos de areia...
Hoje só me restam os castelos de areia!
O legado de Flora Egídio Thomé e outros poetas é infinito, imortal, e atingiu as próximas gerações. Exemplo disso é o poeta Lucas Ribeiro, de Água Clara, que, influenciado por uma professora de Três Lagoas, começou a escrever aos 12 anos. O escritor possui um livro de poesias publicado, "Poesia para tudo o que tem Nome", e já se prepara para o segundo, bem como uma obra com sonetos água-clarenses.
Exemplo de inspiração para as novas gerações, Três Lagoas também foi destaque com Alana Serra Scherer, que já possui cerca de 60 poesias em seu trabalho literário e teve sua poesia "Terra de Liberdade" publicada em livros didáticos de todo o Brasil.
À medida que os anos passam, o desinteresse pela literatura, especialmente pelas poesias, parece aumentar, mas Lucas e Alana são exemplos de que essa expressão de arte é essencial para a sociedade. Segundo Ribeiro, "vivemos em uma geração sobrecarregada de informações, e muitas vezes são informações que não agregam. Eu acredito que a leitura e a literatura têm um poder muito forte, poderoso, de transformar vidas, porque ela gera identificação".
Tal poder tem perpassado gerações e, ao ser celebrado neste dia 21, lembra a imortalidade das obras realizadas por tais escritores, que tanto contribuem para a sociedade três-lagoense.
