Durante a 26ª Semana Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública, professores de Três Lagoas se uniram ao movimento nacional convocado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), com o tema “Escola pública não é negócio, é direito! Não venda a minha escola”. A mobilização teve a adesão do SINTED (Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Três Lagoas), que também organizou atividades locais de conscientização.
A vereadora e presidente do SINTED, professora Maria Diogo, destacou que a mobilização é uma resposta à crescente ameaça de privatização da educação pública no Brasil. "Estamos acompanhando vários estados e algumas cidades que estão privatizando a educação pública. A gente luta arduamente pela educação pública", afirmou.
Segundo ela, o perigo começa com a terceirização, prevista na Lei de Responsabilidade Fiscal, e avança com brechas legais. "Hoje nós temos a terceirização irrestrita, que foi aprovada na reforma trabalhista no governo Temer. O que a gente percebe é uma articulação para abrir portas à terceirização e, posteriormente, à privatização", explicou.
Em Três Lagoas, a preocupação é concreta: o prefeito já sinalizou a possibilidade de terceirizar funções como merendeiras e auxiliares de escola. Maria Diogo se posiciona contra. “Eu sou contra, por acreditar na escola humanizada, na escola das relações, das trocas. Muitas vezes um aluno se abre com a 'tia da merenda', com a 'tia que limpa'. Educação, como já dizia Paulo Freire, tem que ser humanizada", destacou.
A vereadora também comentou sobre as negociações salariais dos profissionais da educação. “Estamos finalizando a negociação salarial que deveria ter sido em janeiro e foi adiada para maio. Estou esperançosa de que vamos conseguir garantir o reajuste retroativo para os professores e administrativos”, afirmou. Ela reforçou ainda a cobrança pela redução da jornada para seis horas, especialmente importante diante do aumento de doenças relacionadas ao excesso de trabalho.
Hoje, Três Lagoas conta com 1.320 professores na rede municipal, entre concursados e contratados.
Já Isabel Borges, destacou a luta pela gestão democrática nas escolas, extinta por decisão do então prefeito Ângelo Guerreiro em 2020. “Perdemos a gestão democrática com uma canetada, sob justificativa de inconstitucionalidade, mesmo sendo aplicada em diversas cidades do Brasil”, criticou.
Como parte das ações da semana, Três Lagoas enviará um ônibus com 44 representantes para Campo Grande, onde os 74 sindicatos ligados à FETEMS irão se reunir em defesa da educação pública. “Vamos levar para a capital nossas principais pautas, entre elas, a gestão democrática. A comunidade escolar precisa voltar a escolher seus diretores e vice-diretores”, reforçou Isabel.
A mobilização segue ao longo da semana, com o objetivo de alertar a população sobre os riscos à educação pública e fortalecer a luta por direitos, valorização profissional e democracia nas escolas.
