O HojeCast recebeu a fonoaudióloga, analista do comportamento e sócio-proprietária da clínica Aba Vida, Petula Araújo, profissional que vem se destacando pelo atendimento humanizado e baseado em evidências científicas no desenvolvimento infantil. Com mais de 12 anos de experiência em alfabetização e educação, Petula transformou suas vivências em sala de aula em uma nova trajetória voltada à saúde, ao cuidado integrado e ao acolhimento de crianças neurodivergentes e suas famílias.
Durante a entrevista, Petula relembrou sua atuação como alfabetizadora, período em que percebeu a necessidade de práticas diferenciadas para crianças com dificuldades de comportamento e aprendizagem.
“Eu via que algumas crianças simplesmente não conseguiam aprender com os métodos tradicionais. Passei anos construindo estratégias por conta própria, mas faltavam ferramentas”, conta.
Fonoaudióloga, analista do comportamento e sócio-proprietária da clínica Aba Vida, Petula Araújo.
Essa inquietação, somada à pressão crescente sobre professores e às limitações do sistema educacional, levou Petula a mudar de área após 12 anos de sala de aula. A partir do contato com a Análise do Comportamento, ela encontrou uma nova vocação.
A partir daí, iniciou uma formação intensa: pós-graduações, cursos, capacitações externas e, mais tarde, a graduação em Fonoaudiologia, impulsionada pelo desejo de compreender de forma mais profunda o desenvolvimento humano e oferecer intervenção qualificada.
A clínica surgiu após experiências insatisfatórias em outros espaços. Segundo Petula, a falta de alinhamento técnico e a visão fragmentada do atendimento infantil motivaram a criação de um ambiente verdadeiramente multidisciplinar.
Hoje, a Aba Vida reúne profissionais de análise do comportamento, fonoaudiologia, neuropsicologia, terapia ocupacional, psicomotricidade, psiquiatria e fisioterapia — todos integrados para avaliar e intervir respeitando as particularidades de cada criança.
“Não existe receita de bolo. Cada criança chega com um histórico, um nível de desenvolvimento e necessidades específicas. Nosso trabalho é montar estratégias assertivas para cada uma delas”, explica.
Desenvolvimento infantil: mitos, fatos e evolução
Durante o bate-papo, Petula discutiu o avanço no diagnóstico de neurodivergências, como TDAH, autismo e transtornos do desenvolvimento. Ela destacou que, diferentemente do passado, hoje há informação e protocolos claros, mas ainda persiste a resistência de alguns pais e escolas.
E os resultados são surpreendentes. A terapeuta relatou casos de crianças que chegam sem contato visual, linguagem ou habilidades básicas, e que, em poucos meses de intervenção precoce, apresentam avanços significativos.
Um dos pontos mais enfatizados por Petula foi o papel das famílias no desenvolvimento infantil. A clínica atua diretamente orientando pais sobre rotina, alimentação, sono e continuidade da terapia em casa.
“O trabalho não acontece só na clínica. A consistência no lar é decisiva. Quando a família entende e participa, os resultados são muito mais rápidos e potentes.”
Ao longo da entrevista, Petula contou como sua própria trajetória, marcada pela descoberta tardia do TDAH, a aproximou ainda mais da causa da neurodivergência.
“Quando recebi meu diagnóstico, eu me entendi pela primeira vez. Isso mudou minha vida e minha prática profissional.”
Hoje, ela lidera uma clínica que se tornou referência na região e segue ampliando sua equipe e estrutura, sempre com foco na ciência, no cuidado individualizado e na transformação social.
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