Projeto desenvolvido pela 5ª turma de Odontologia da AEMS, em Três Lagoas, revela os riscos do uso de cigarros eletrônicos, uma febre que tem crescido entre os jovens. Em entrevista ao Hojemais, a Profa. Dra. Maria Fernanda Martins-Ortiz, que leciona a disciplina de Estomatologia e Patologia, junto com as alunas Tallyani e Éllen, apresentaram os resultados da pesquisa até o momento.
Apesar dos poucos anos de pesquisa, o que impede o conhecimento completo dos danos a longo prazo, a professora afirma que já existem dados importantes sobre o uso do cigarro eletrônico, cujo consumo teve um grande aumento no Brasil, passando de 500 mil para 2,5 milhões de usuários, um crescimento de 500% desde 2018.
A maioria dos usuários é composta por jovens e adolescentes, que não possuem informações suficientes sobre os danos causados. Por isso, o projeto leva tais dados até as escolas. O objetivo é mostrar os prejuízos à saúde causados pelo uso do aparelho, que, segundo as pesquisadoras, além de ser cancerígeno, também altera a saúde bucal. A presença de nicotina pode reduzir o fluxo sanguíneo local, provocando boca seca, gengivite, doença periodontal e perda óssea.
De acordo com a professora, “o que antigamente demorava anos para aparecer com o cigarro tradicional, agora estamos vendo em pacientes jovens de uma forma bem aguda”, acrescentando que o cigarro eletrônico também contém açúcar, o que aumenta a ocorrência de cáries e a proliferação de micro-organismos, elevando os riscos de infecções bucais graves, além de gerar úlceras e queimaduras na boca.
A aluna Tallyani destaca também que o uso do cigarro eletrônico pode causar lesões pulmonares graves, que, inclusive, podem levar ao óbito. Ela cita uma pesquisa que revela que, “de 2019 a 2020, o Brasil registrou 68 óbitos e 13 mil internações por conta do cigarro eletrônico”.
O produto, ao contrário do que muitos pensam, gera dependência, sendo que, ao contrário do cigarro tradicional, que demora 15 segundos para atingir o sistema neurológico, consegue liberar a sensação de prazer em apenas 7 segundos. Éllen, por sua vez, lembra que a comercialização dos aparelhos pode gerar multa diária de R$ 5.000,00, sendo ilegal no país.
Dessa forma, torna-se relevante compreender que, além de ser ilegal, o produto provoca graves danos à saúde, a curto e longo prazo, que devem ser prevenidos com informação, a qual, de acordo com a professora, “é o poder de tomar decisões melhores”.
