O racismo estrutural impacta diversos setores da sociedade brasileira, incluindo a área da saúde. Para promover a equidade nesse setor, uma parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e o Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde) está discutindo essa temática com trabalhadores da saúde e futuros profissionais.
Em entrevista ao Hojemais, a professora Dra. Mariana Alvina dos Santos, do curso de Enfermagem da UFMS, destacou que o PET-Saúde, neste ano, busca trabalhar a equidade, conectando ensino, academia e serviço. Nesse contexto, o programa, em conjunto com a SMS, realizou uma roda de conversa e uma capacitação nesta terça-feira (19), abordando o tema do racismo estrutural.
O professor Dr. Edierlei Machado dos Santos, também do curso de Enfermagem da UFMS, explicou que o racismo estrutural perpetua desigualdades entre grupos da população com base na cor da pele ou na raça, sendo um reflexo de construções históricas e sociais. Com relações de poder que remontam ao período colonial, Edierlei lembrou que “existem inúmeros estudos que mostram como a população negra tem maior prevalência de doenças como diabetes, hipertensão e mortalidade materna”.
Segundo o professor, esses dados não estão relacionados a fatores genéticos, mas sim às condições sociais impostas pelo racismo, como a falta de oportunidades, o estresse constante e a menor qualidade dos serviços de saúde disponíveis.
Mesmo que inconscientemente, muitas pessoas acabam reproduzindo essas estruturas, uma atitude que pode ser combatida com a busca pela equidade. Para Edierlei, a equidade é um caminho para alcançar a justiça social, assegurando que as leis sejam efetivamente aplicadas. Ele concluiu: “O racismo adoece e mata”.
