O conceito das cidades de 15 minutos tem como objetivo tornar o acesso ao trabalho, ao lazer, a comida, a saúde, educação e cultura, tudo em no máximo 15 minutos de onde se mora, e detalhe, caminhando.
Essa ideia surgiu a partir de uma teoria desenvolvida pelo cientista franco-colombiano Carlos Moreno, professor da Universidade de Sorbonne, na França, e essa teoria se baseia no cronourbanismo, ou seja, na relação de tempo e deslocamento dentro das cidades.
Carlos é urbanista e responsável por vários planos de mobilidade mundo afora, inclusive já colaborou para a elaboração do plano diretor de mobilidade de São Paulo, aqui no Brasil.
Ele argumenta que a dinâmica hoje existente nas cidades é responsável pelo grande desperdício de tempo e energia das pessoas e que a visão delas é distorcida em relação a esse modelo, pois, segundo ele, não é a cidade que atende as necessidades e expectativas das pessoas e sim as pessoas que têm que se adaptar a ela, estragando a qualidade de vida, pelo simples motivo que sua construção não foi pensada para isso.
Segundo o cientista, para iniciar essa mudança é necessário repensarmos as cidades em torno de quatro pontos principais:
a) Ecologia - para que as cidades sejam mais verdes e sustentáveis, além, é claro, de mais agradáveis;
b) Proximidade - para que as pessoas possam viver a uma distância curta para realização de qualquer atividade;
c) Solidariedade - que vínculos entre as pessoas possam ser uma consequência positiva entre os moradores, como uma aldeia por exemplo, mas com as comodidades, atrativos e inovações de uma cidade urbana, criativa e moderna;
d) Participatividade - Onde todos moradores daquele determinado bairro possam decidir o que é melhor para a comunidade que vivem.
A primeira cidade a adotar a ideia foi Paris, na França, onde foi verificado um forte aumento na proximidade das atividades, incluindo a descentralização e a criação de novos serviços para cada um dos bairros; a redução do trânsito com a criação de mais ciclovias; novos modelos econômicos para incentivar o comércio local e a nítida transformação da infraestrutura atual.
Segundo seu idealizador, a regra de ouro da cidade de 15 minutos é o aproveitamento de cada metro quadrado construído, devendo ser usado para coisas diferentes. Por exemplo, aproveitar períodos ociosos de equipamentos públicos para realização de outras atividades, complementares ou não.
Portanto, a cidade de 15 minutos tenta reconciliar a cidade com os humanos que moram nela de forma totalmente harmônica.
Quando observamos o surgimento de centros comerciais nas periferias de nossas cidades, parece um começo para esse conceito, mas mesmo assim, será que as pessoas gostariam de deixar de passear e/ou explorar outros lugares para ficarem somente em seus bairros?
