O C4-NP (Comitê Científico de Combate à Covid-19 da Região Noroeste Paulista) publicou nota alertando para os riscos que envolvem a reabertura das escolas, públicas ou particulares, e o reinício das aulas presenciais com crianças e jovens de todas as idades.
A recomendação do comitê é que não sejam retomadas as aulas presenciais, pois enquanto não houver uma vacina, não haverá segurança para que quaisquer atividades voltem ao que se costumava chamar de "normal". Essas aberturas podem, inclusive, causar uma segunda onda de contágios e mais mortes.
“’Perder’ o ano letivo é menos grave do que perder as vidas das crianças ou de adultos e idosos que venham a ter contato com as crianças e jovens que se contaminaram na escola”, conclui o comunicado assinado por técnicos e pesquisadores científicos.
O grupo foi criado com o objetivo de divulgar informações científicas de fontes confiáveis, para que seja possível influenciar políticas públicas de combate à pandemia de covid-19, visando à preservação da vida humana.
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Baseado em dados e pesquisas científicas, além da experiência adquirida em outros países do mundo, o comitê pontuou várias situações para justificar a recomendação, partindo da lógica de que “quanto maior o contato social, mais aumentam os números de contágios e óbitos”.
Interação
O comitê lembra que as crianças, por sua natureza, não podem ser contidas em salas de aula sem interação entre si.
“Para seu desenvolvimento saudável é necessário o brincar, o pular, o correr, o contato físico e é justamente nestas situações que há o perigo de contaminação durante o período de pandemia. Todas estas ações que são por vezes dificilmente controláveis em uma criança, tornam-se uma tarefa impossível com mais crianças, seja em uma sala de aula, ou num espaço aberto”.
Algumas questões são levantadas para reflexão. “Como evitar as aglomerações? Como assegurar o distanciamento social de 1,5 metro? Como fazê-las usar corretamente as máscaras, no afã de correr e brincar?”. A troca de máscaras a cada duas horas, por exemplo, torna-se inviável neste ambiente.
Públicas x privadas
A nota lembra ainda que, enquanto as escolas particulares podem ter um mínimo de segurança, as escolas públicas, estaduais ou municipais, na maioria das vezes, não possuem nem mesmo a infraestrutura para promover a higiene básica de seus alunos, faltando água e sabonete, bem como funcionários treinados nos protocolos de saúde pública que são ineficientes ou inexistentes
Andradina, Araçatuba e Birigui já anunciaram que não haverá aulas presenciais em 2020 (Foto: Secom/Prefeitura de Andradina)
“Quem se responsabilizará se alguma criança, funcionário ou professor for contaminado e ficar doente? Como evitar a contaminação de pais e parentes? E se vierem a óbito?”, questiona.
Por fim, o comitê ressalta que casos assintomáticos em crianças são em número maior, o que já torna a contaminação e a manifestação dos sintomas um "jogo de azar", pois nunca se sabe quem, nem quando será contaminado ou desenvolverá os sintomas graves e poderá vir a óbito.
Municípios
Na região, Andradina, Araçatuba e Birigui já comunicaram à população que não haverá aulas presenciais em 2020, por conta da pandemia.
Os três municípios fizeram consulta on-line aos pais e responsáveis para saber a opinião sobre o retorno das aulas presenciais.
Nas três pesquisas a maioria respondeu que prefere a continuidade do ensino a distância, com as crianças em isolamento social, o que será mantido, com entrega de materiais para alunos que não possuem acesso à internet.